Senadores usam Twitter para declarar voto

Parlamentares revelam pelo microblog como se posicionaram no plenário e aproveitam para cobrar fim da votação secreta

EUGÊNIA LOPES, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

Logo após o resultado da cassação de Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), senadores aproveitaram as redes sociais para divulgar a posição que, segundo eles, assumiram na votação secreta. Parlamentares também defenderam, antes e depois do julgamento, que o Congresso Nacional aprove uma proposta de emenda constitucional que institua o voto aberto para votações de perda de mandato.

Os senadores Marta Suplicy (PT), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), Jorge Viana (PT), Roberto Requião (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB) manifestaram no Twitter seus votos. Demóstenes recebeu 56 votos dos 41 necessários para cassá-lo.

Marta afirmou que já havia antecipado seu posicionamento e se manifestado contra a "contínua manifestação de duas personalidades" de Demóstenes. "Já havia me manifestado em voto aberto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sobre Demóstenes. Votei pela cassação." Por fim, elogiou o relatório de Humberto Costa: "Justo e no ponto. Não merecia o questionamento absurdo feito pelo acusado. Ficou mal".

Aloysio foi sucinto ao declarar que votou pela cassação. Jorge Viana citou a Bíblia e fez uma reflexão, com elogios velados a Demóstenes. "Pra refletir: o Senado sai maior, parlamentares nem tanto. Demóstenes, grande líder da oposição, referência de parlamentar e moralidade, foi cassado". Em discurso feito antes do julgamento, a senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que um "legado importante" do processo contra Demóstenes foi o fato de o plenário do Senado ter aprovado, em dois turnos, uma proposta para acabar com o voto secreto.

Outro que se pronunciou em plenário, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), também defendeu que esta seja a última votação secreta de perda de mandato. "O modelo institucional atual visa a estabelecer o controle do Estado pelo cidadão."

O presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), também fez coro. "Agora que vivemos numa democracia plena, onde todos os valores são assegurados pela Constituição e pela lei, o voto secreto não mais se configura uma necessidade."

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