Senadores pedem inquérito contra Mantega na PGR

Seis parlamentares enviaram representação ao procurador-geral em que acusam ministro de omissão por manter Denucci na Casa da Moeda sob suspeita

ROSA COSTA, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h03

Com o apoio de dois senadores da base aliada, a oposição encaminhou ontem ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação contra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por omissão diante de denúncias apuradas pela Receita e PF contra o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci.

A representação pede a instauração de inquérito civil público para cobrar responsabilidade de Mantega pela permanência de Denucci no cargo mesmo após alertado sobre a existência de indícios de corrupção contra ele. "O ministro manteve Denucci no comando da Casa da Moeda, com isso dando causa à continuidade dos atos lesivos ao interesse público", sustentam os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Demóstenes Torres (DEM-GO), Randolph Rodrigues (PSOL-AP), mais Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT).

Eles alegam que Mantega "não foi imparcial nem leal à instituição à qual está vinculado, além de ter falhado com seu dever de ofício". Afirmam, ainda, que "nem se cogita levantar a hipótese de que o ministro da Fazenda não sabia do esquema de corrupção na Casa da Moeda, visto que ele próprio admitiu ter sido alertado acerca da situação". Os senadores pedem que Mantega seja punido com a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e ressarcimentos aos cofres públicos de eventuais danos causados por Denucci.

Blindagem. Ontem, o governo comandou o esvaziamento da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que votaria requerimento de convite ao ministro para prestar esclarecimentos. Depois de esperar mais de uma hora por quórum, o presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), encerrou os trabalhos, remarcando novo encontro para o dia 28, após o carnaval.

Com 80% das cadeiras do colegiado, a base contou com a reunião do Conselho Político do governo, marcada para o mesmo horário para esvaziar a sessão da CAE. Com 11 senadores presentes (seriam necessários mais três para dar quorum), Delcídio chegou a anunciar que aguardaria o fim da reunião do Conselho Político, mas acabou desistindo.

A permanência de Denucci no comando da Casa da Moeda, segundo reportagem publicada domingo no Estado, atendeu a uma poderosa rede de influências, que abrangeu desde o ex-presidente Lula até o ex-ministro Delfim Neto e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio, que à época exercia mandato na base aliada.

A reportagem informou ainda que a presidente Dilma Rousseff teria interesse na defesa de Denucci por uma suposta amizade com sua irmã, Tereza Cristina Denucci Marques, o que Dilma nega (veja texto ao lado). Tereza foi casada com o militante do MR-8, Paulo Costa Ribeiro, preso pela ditadura e desaparecido, e posteriormente com o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco José Ibrahim. Ela morreu ano passado, de câncer.

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