Senadores dizem que texto do PT é 'incompreensível'

Resolução discutida pela sigla aponta a 'oligarquia' do Senado como uma das responsáveis pelo atual descrédito da política

Ricardo Brito / Brasília, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 02h10

Senadores da base aliada criticaram a resolução do Diretório Nacional do PT, discutida no final de semana, segundo a qual o Senado tem um "funcionamento oligárquico" que ajudou a levar à atual crise de legitimidade do sistema político. Os parlamentares da base rechaçaram a resolução, qualificando-a de "incompreensível" e até de "meio autista".

"É incompreensível, uma vez que nesta legislatura tem sido o Senado que tem dado sustentação ao governo", afirmou o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que disse não se considerar integrante de uma oligarquia, por não ter parente ou familiar na política. Ele disse que, durante o governo Dilma Rousseff, a bancada do partido na Casa "tem sido muito mais fiel" do que a da Câmara dos Deputados, às vezes, destacou, até mais do que o próprio PT, partido da presidente.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse que a crítica feita na resolução traz consigo uma "desfaçatez", pois os petistas, segundo ele, têm sido sócios da atual hegemonia política no Senado. "Me parece uma coisa meio autista", afirmou.

Petista. Primeiro senador eleito da história do PT, Eduardo Suplicy (SP) não concordou com o teor da resolução. "Se for para falar isso do Senado, tem que falar também da Câmara dos Deputados. No que existe aqui de oligárquico, tem algo igual na Câmara também", disse o petista, que não participou do encontro da sigla.

Ele observou que muitas vezes a Casa tem tomado decisões "mais progressistas" do que a Câmara, citando o exemplo da rapidez na tramitação de uma proposta de emenda à Constituição que desapropriava áreas rurais onde ocorra trabalho escravo e uma série de propostas de reforma política. Ele disse ainda que a natureza da eleição para o Senado, majoritária, em que não há voto de legenda ou em coligações, garante uma perspectiva mais progressista do que na Câmara dos Deputados, para a qual a votação é proporcional.

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