Senadora soube de acordo para demais rivais desistirem

Zarattini e Jilmar Tatto estariam perto de acerto com cúpula do partido para deixar disputa, o que precipitou saída de Marta

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2011 | 03h05

A senadora Marta Suplicy tinha informações de que os outros dois pré-candidatos do PT à Prefeitura de São Paulo, os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto, caminhavam para um acordo com a cúpula do partido em favor da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad. O Estado apurou que esse fato teria antecipado a decisão dela de não disputar a prévia.

Marta anuncia hoje a decisão de abandonar a disputa interna no PT para escolha do candidato a prefeito de São Paulo.

A operação pró-Fernando Haddad, colocada em curso pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pressionava não apenas Marta, mas também os outros pré-candidatos nos bastidores.

A senadora tinha até a próxima segunda-feira para inscrever seu nome na eleição interna. "Se ela demorasse mais uma semana, a saída dela não significaria nada", afirmou um dirigente petista.

Embora Marta não tenha recebido garantias de que assumirá um ministério, no encontro com a presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, foi sinalizado que ela pode ter um espaço no governo federal no médio prazo. A petista mirava a pasta da Educação, mas pode conseguir uma indicação para a Cultura, segundo informação de dirigentes do PT.

Apesar de a cúpula do PT dar como praticamente certa a desistência de Zarattini e Tatto, os dois negam que abrirão mão das candidaturas. Ambos afirmaram que pretendem procurar os eleitores "órfãos" de Marta e dizem não descartar uma ação conjunta numa frente anti-Haddad. Nas contas do partido, os dois parlamentares têm juntos, no máximo, 30% dos votos - Lula conseguiu costurar 60% do partido em torno da candidatura de Haddad. Em razão disso, os dirigentes petistas acham que os dois não demorarão muito para negociar a retirada da disputa.

Operação. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), está empenhado nas articulações, que passam pela garantia de que Tatto ficará com a liderança da bancada do PT. O parlamentar nega que haja uma articulação nesse sentido e afirma que a escolha do líder corre de maneira independente da disputa pela indicação na capital paulista.

O outro pré-candidato do PT é o senador Eduardo Suplicy, que ainda não tem as assinaturas necessárias para se inscrever nas prévias. É necessário o apoio de 3.181 filiados para que um pré-candidato consiga disputar.

"Sempre trabalhei com a ideia de um nome novo. E estava convencido de que ela não iria até o fim. Vou disputar. E se eu não ganhar vou fazer o Haddad trabalhar bastante", ironiza Tatto.

"Vamos para cima do povo da Marta, que agora está desamparado", declarou Zarattini.

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