Senador substitui afilhado de Campos no Ministério da Integração

Em acordo, alas do PMDB da Câmara e do Senado indicam o nome de Vital do Rêgo Filho (PB) para ocupar pasta

Vera Rosa e Débora Bergamasco, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h14

BRASÍLIA - A pedido da presidente Dilma Rousseff, o PMDB se unificou e decidiu indicar o senador Vital do Rêgo Filho (PB) para o Ministério da Integração Nacional. Com o apoio das bancadas da Câmara e do Senado, o nome de Vital será levado pela cúpula peemedebista a Dilma para o lugar do atual ministro, Fernando Bezerra, que é do PSB e está de saída do governo.

O acordo entre as alas do PMDB foi fechado na segunda-feira, em jantar no Palácio do Jaburu, quando o vice-presidente Michel Temer reuniu senadores e deputados da legenda para comemorar seus 73 anos.

Antes de viajar para Nova York, onde participou da abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Dilma pediu a Temer que o PMDB se unisse para "fazer" o sucessor de Bezerra.

Os peemedebistas acreditam que a presidente aceitará a indicação de "Vitalzinho", como o senador é conhecido, sem pestanejar. Corregedor do Senado, ele prestou serviços ao governo quando presidiu a Comissão Mista do Orçamento e a CPI do Cachoeira. Além disso, é do Nordeste, requisito considerado fundamental para a nomeação.

Carta de demissão. Afilhado político do governador Eduardo Campos (PSB-PE), Bezerra esteve no Palácio do Planalto no último dia 20 para entregar a carta de demissão, depois que a Executiva Nacional do PSB decidiu devolver os cargos ocupados no governo Dilma.

Pega de surpresa com a decisão do PSB, Dilma pediu a Bezerra que esperasse uma semana e não recebeu a demissão. Nesse meio tempo, solicitou ao PMDB, até então dividido, uma indicação que contemplasse o partido no Senado e na Câmara.

Além da Integração Nacional, com orçamento na casa de R$ 8 bilhões para 2014, o PSB controla o Ministério dos Portos, com Leônidas Cristino à frente, e algumas estatais, como a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ocupa, ainda, diretorias na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), na Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco)e no Banco do Nordeste.

É provável que o Ministério dos Portos continue sob influência do governador do Ceará, Cid Gomes, e de seu irmão, Ciro, que vão apoiar a campanha da reeleição da presidente Dilma, em 2014. "Leônidas vai sair do Ministério. Para mim, é uma questão de honra", afirmou Cid, que também deixará o PSB de Campos.

Apesar do tom veemente do governador, mesmo se Leônidas desembarcar do PSB e do Ministério, Dilma pretende manter Portos com um indicado dos irmãos Gomes. "Não estamos rompendo com o PT, mas o jogo está jogado. A devolução dos cargos no governo Dilma é uma decisão partidária, irreversível", disse Campos.

O presidente do PT, deputado Rui Falcão, disse que o partido vai atuar para trazer o PSB de volta à aliança. "Nosso empenho é para estarmos juntos em 2014", afirmou. Em conversas reservadas, no entanto, integrantes do grupo de Campos comentam que a cúpula do PT e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, empurraram o PSB para fora da coligação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.