Senador se cala na CPI e parlamentares batem boca

Demóstenes usou direito de ficar em silêncio; já Sílvio Costa (PTB-PE) reagiu, com palavrões, à intervenção de Pedro Taques (PDT-MT)

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 03h18

Terminou em bate-boca e palavrões a sessão de ontem da CPI do Cachoeira. Marcada para ouvir o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), que porém ficou calado, a sessão durou menos de meia hora e se encerrou com parlamentares trocando palavrões e xingamentos.

A confusão começou quando o deputado Sílvio Costa (PTB-PE) reagiu à intervenção do senador Pedro Taques (PDT-MT), que reclamou da forma como parlamentares se dirigiam a Demóstenes. "Um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade", disse Taques.

Incomodado com a interrupção, Costa reagiu com virulência. "Você é um hipócrita, um demagogo", berrou, com o dedo em riste. "Você tem que ser processado pelo Conar por propaganda enganosa", continuou. "Não me meça por sua régua", reagiu Taques. "Minha régua é maior que a sua", retrucou Costa. E prosseguiu: "F.d.p. Você é um merda".

O presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), correu para findar a sessão. "Foi deplorável", resumiu o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que há 15 dias prometeu que não deixaria a CPI virar "um circo".

Acordo. Os integrantes da comissão sabiam que Demóstenes não iria responder a nenhuma pergunta por orientação de seu advogado Carlos de Almeida Castro, o Kakay. O script foi seguido à risca. "Anteontem prestei depoimento por mais de cinco horas no Conselho de Ética, cuja pertinência temática é a mesma. Em decorrência disso e por solicitação do meu advogado, encaminhamos petição à comissão e comunicamos por lealdade da comissão, que permaneceríamos calados, conforme faculdade da Constituição, uma vez que o meu advogado está providenciando a degravação do depoimento que fiz ao conselho, bem como as notas taquigráficas da sessão na CPI", justificou.

Havia, no entanto, acordo tácito entre os líderes partidários para tentar constranger Demóstenes, sem, no entanto, humilhá-lo. "O senhor (Demóstenes) foi referência de comportamento para milhares de jovens e adultos, que veem na política a solução para os problemas do País", começou o deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF), que depois se retirou em protesto ao silêncio do senador. Cunha foi pela mesma linha: "É claro que o seu silêncio não é o silêncio dos inocentes".

O clima acirrou-se com a intervenção de Sílvio Torres, que começou sua fala acusando Demóstenes de fazer parte da quadrilha de Cachoeira. "O senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar de mentirosos", bradou. Foi aí que Taques pediu a palavra e a balbúrdia se instalou.

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