Senador quer paulistas na campanha

Na tentativa de aumentar a inserção em São Paulo, o PSDB pretende chamar para atuar no projeto do senador Aécio Neves (MG) de concorrer à Presidência em 2014 tucanos paulistas descontentes com os caciques do Estado. A ideia é construir uma rede de entusiastas com a eventual campanha do mineiro no maior colégio eleitoral do País e neutralizar uma possível apatia de tucanos paulistas com o projeto de Aécio.

O Estado de S.Paulo

28 Abril 2013 | 02h04

Integrantes da direção do partido já avisaram ao presidente estadual da legenda, Pedro Tobias, que o querem atuando na campanha de Aécio. Na semana passada, Tobias protagonizou uma crise no partido, quando insistiu em disputar a reeleição em São Paulo, apoiado por um grupo que era contra o ex-governador José Serra e que, uma semana antes, havia derrotado aliados do tucano na eleição para o diretório municipal. O grupo, formado por secretários de Alckmin com pretensões eleitorais na eleição municipal de 2016, impediu a vitória do vereador Andrea Matarazzo.

O governador Geraldo Alckmin teve de entrar em cena para evitar que a nova derrota, desta vez no diretório estadual, prejudicasse a relação com o núcleo serrista. Num telefonema para Tobias, Alckmin reclamou com o presidente do PSDB paulista do evento que organizou em São Paulo, em março, para lançar a candidatura de Aécio no Estado. Para o governador, o encontro, em que o senador foi aclamado como presidenciável, lhe rendeu uma saia justa - Serra nem foi ao evento, e Alckmin tentara desmarcar o evento do PSDB.

Depois de enquadrado por Alckmin, Tobias teve de retirar a candidatura à reeleição. Antes conversou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem recebeu a sinalização de que o partido quer que ele atue a favor de Aécio no Estado.

Aliados de Aécio temem que o senador não tenha apoio em São Paulo, caso venha a disputar a eleição presidencial. Preocupado com a sua reeleição, Alckmin poderia ceder palanque para o presidenciável Eduardo Campos (PSB) no Estado, em troca do apoio dos socialistas. Os tucanos também não descartam uma aliança tácita com Dilma Rousseff (PT), de olho no eleitorado petista - em 2006, o próprio Aécio foi acusado de se beneficiar com o fenômeno eleitoral "lulécio", referência à dobradinha extraoficial com o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva na disputa em Minas Gerais.

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