Senador petista cobra de Campos reconhecimento de avanços no País

Em discurso na sede do governo pernambucano, Humberto Costa fala de 'momento de dificuldade' e pede compromisso

ANGELA LACERDA / RECIFE , O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2013 | 02h17

O senador Humberto Costa (PT-PE) cobrou ontem o reconhecimento do governador Eduardo Campos às ações do governo da presidente Dilma Rousseff em relação à seca e seu enfrentamento. Ele fez a cobrança em discurso, durante anúncio de R$ 700 milhões para financiamento de agricultores do semiárido pernambucano, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

Provável candidato à presidência da República, o governador de Pernambuco, que é presidente nacional do PSB, tem feito críticas ao governo, embora se mantenha na base aliada.

"O governo vive um momento de dificuldade, não podemos deixar de reconhecer", disse o senador, ao lado de Campos, na solenidade na sede provisória do governo estadual. "Mas é no momento de dificuldade que é importante reconhecer o que foi feito para o Brasil se desenvolver." Costa destacou o "tratamento especial" do governo federal com Pernambuco e as "importantes obras estruturadoras" para o semiárido em andamento no Estado, a exemplo das adutoras do Pajeú e do Agreste. "Tenho certeza de que foi por isso que Pernambuco votou maciçamente na presidente Dilma, porque sabia que ela iria dar continuidade à atenção que o presidente Lula sempre teve com o Estado", disse o parlamentar petista. Com dezenas de prefeitos pernambucanos na plateia, o senador disse ter certeza, também, de que "o governo estadual, na pessoa de Eduardo Campos, reconhece esse esforço assim como os movimentos sociais, prefeitos e prefeitas haverão de reconhecer".

Em entrevista após o evento, Campos disse não ter "percebido" a cobrança de Costa. No discurso feito minutos antes da entrevista e momentos depois do discurso do ex-ministro, porém, o governador pontuou o fato de o governo federal ter se inspirado em políticas públicas criadas por Miguel Arraes, seu avô, cujo governo beneficiou os pequenos agricultores.

Campos frisou ainda a necessidade de o Nordeste ser prioridade de um plano estratégico do governo federal visando à redução das disparidades sociais e econômicas. "O Nordeste tem um terço dos agricultores familiares do Brasil, mas detém apenas 10% do crédito, numa reprodução do que acontece na economia brasileira: a região tem 28% da população brasileira e somente 13,5% do PIB."

Campos não deixou, no entanto, de reconhecer as iniciativas do governo federal, que incluem a suspensão da execução das dívidas dos agricultores. Frisou que pela primeira vez existe um Plano Safra voltado para o semiárido, região onde a situação do pequeno agricultor ainda é mais dura e difícil. O plano específico para a região abrange também os pequenos e médios produtores, visando à recuperação das cadeias produtivas na área que foi afetada pela maior seca dos últimos 50 anos. "Se não é o ideal, está se fazendo diferente, na direção de se ter uma política que compreenda as circunstâncias de uma região desértica, que tenha sinais de visão estruturante."

Ajuda. Pepe Vargas também discursou. Ele anunciou R$ 7 bilhões para financiamentos no País, sendo R$ 4 bilhões para agricultores familiares. Distribuiu 29 retroescavadeiras, 25 motoniveladoras, 30 pás carregadeiras e 28 caminhões caçambas para 112 municípios de Pernambuco.

Aproveitou, então, para pedir ajuda aos prefeitos presentes. "Prefeitos e prefeitas, façam adesão ao Mais Médicos", pediu ele, referindo-se ao programa federal que vem encontrando resistência da classe médica. O ministro disse que países como Canadá e Austrália têm grande quantidade de médicos estrangeiros, enquanto o Brasil só tem 1%. Ele assegurou que a prioridade do programa é para brasileiros e observou que há 700 municípios sem médicos no Brasil.

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