Senador mineiro tenta reforçar imagem de opositor com cartilha

Tucanos querem marcar diferença em relação a Campos, visto como representante de 'uma meia mudança'

Débora Bergamasco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2013 | 02h03

Na tentativa de se firmar como único nome da oposição de fato a enfrentar a presidente Dilma Rousseff em 2014, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), lança nesta terça-feira, 17, os "doze mandamentos" para orientar o programa de governo de sua provável campanha eleitoral.

O texto apresenta diretrizes para a política econômica, social, internacional, de gestão pública, ética, democracia, sustentabilidade e agropecuária. A cartilha servirá tanto como contraponto ao governo petista quanto para se diferenciar de seu possível oponente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Nos bastidores, tucanos o descrevem não como um nome da oposição, mas um "dissidente do governo" e representante de "uma meia mudança".

O texto procura fazer uma crítica ao atual modelo de gestão e apresentar uma alternativa. A condução da economia é tida como o ponto-chave do PSDB para se opor aos concorrentes de 2014. O texto critica a "política intervencionista" que, segundo os tucanos, é praticada pelo atual governo. Sugere mais espaço para a iniciativa privada e que o Estado se limite a atuar sobre a criação de regras e regulação do mercado, e não na execução, como ocorreria, por exemplo, nos recentes leilões de concessões.

Os tucanos avaliam que este é o aspecto mais fraco da presidente e com maior capacidade de recall para o PSDB, pois apostam que o partido ainda pode surfar nos avanços conquistados com o Plano Real, sob a condução do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também defendem a urgente recuperação da credibilidade do País no mercado externo e interno.

Para a área social, vão defender a superação da pobreza sem que o beneficiário dependa da tutela do Estado. Vão propor que a União seja a provedora das condições para o cidadão prosperar. Para isso, ainda sem especificar projetos concretos, sustentam que manterão planos sociais, mas propõem avançar nos investimentos em educação, qualificação de trabalhadores, criação de empregos e de renda. Algo na linha do que já vem sendo adotado nas propagandas partidárias: "Quem muda o Brasil é você", diz o slogan.

A despeito das recentes acusações de envolvimento do PSDB com corrupção no cartel dos trens em São Paulo e do iminente julgamento do mensalão mineiro, no Supremo Tribunal Federal, o documento destaca o compromisso com a ética. Trata do combate à corrupção e da defesa da liberdade de imprensa.

O documento, que os tucanos não querem que seja chamado de "cartilha", também prega uma guinada na política externa.

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