Senador é executado antes do segundo turno

Favorito na eleição em segundo turno para o governo de Rondônia, o senador Olavo Gomes Pires Filho, do PTB, chegava à loja de máquinas agrícolas da família usada como comitê de campanha, no centro de Porto Velho. Era o começo da noite de 16 de outubro de 1990 e ele ia para um encontro com simpatizantes, quando recebeu uma rajada de metralhadora.

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h17

Naquele momento, a energia elétrica tinha caído na cidade e o local contava apenas com a iluminação fraca de geradores. Diante de gritos de pavor dos simpatizantes e aliados, um pistoleiro ainda se aproximou do corpo caído do candidato e disparou mais tiros.

Um mês antes do crime, Pires pediu proteção, sem sucesso, ao governo federal. Ele dizia sofrer ameaças de morte e reclamava das notícias de que participava de um esquema de tráfico de drogas na Amazônia. Ele desenvolveu uma trajetória política com ações assistencialistas em Porto Velho. No primeiro turno da eleição para o governo estadual, ele obteve 79 mil votos. Valdir Raupp, do PMDB, recebeu 78 mil e Osvaldo Piana, do PTR, 72 mil. Com o assassinato do senador, Piana foi para a segunda votação e venceu a disputa, com 181 mil votos contra 145 mil de Raupp.

Sem autor. Em 2009, o Ministério Público Estadual denunciou assessores de Piana e pistoleiros de aluguel pela morte do senador. Cinco homens chegaram a ser presos, mas foram soltos. A CPI da Pistolagem instalada na Câmara dos Deputados, em 1994, citou a morte de Pires como crime político, mesmo entendimento de policiais e procuradores. Os órgãos de investigação, no entanto, não apontaram os mandantes do crime.

A trajetória de Pires, um goiano que mudou para a Amazônia ainda jovem, é marcada por histórias trágicas. Em 1982, ele foi denunciado por envolvimento na morte do jornalista João Batista Alencar, em Boa Vista (RR). Alencar fazia críticas e acusações contra o governador Ottomar Pinto e Pires, que também tinha uma loja de máquinas agrícolas em Roraima.

O segurança Romam Gomes Pereira, guarda-costas de Pires, foi denunciado como autor dos disparos contra o jornalista, morto em frente à loja, um assassinato com características semelhantes ao do senador.

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