Senado quer apurar encontro em prédio

'Estado' revelou grampos que indicam reunião da 'máfia dos caça-níqueis' em apartamento de Demóstenes Torres; Conselho de Ética deve investigar

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2012 | 03h05

Senadores defenderam ontem que o Conselho de Ética da Casa investigue a suspeita de que integrantes da cúpula da chamada "máfia dos caça-níqueis", comandada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tenham se reunido no apartamento funcional do senador Demóstenes Torres (sem partido) em Brasília para tratar de negócios do grupo.

Grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal, divulgados ontem pelo Estado, indicam um acerto do grupo para se reunir no apartamento de Demóstenes em dezembro de 2010. "Após a Páscoa, vamos investigar tudo isso", disse o presidente do DEM, José Agripino (RN), ao classificar mais uma vez o caso como superado. Demóstenes deixou o partido na terça-feira. "Entendo que tudo é grave. O fato é como uma cereja no bolo", disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Bloco. O encontro, segundo a PF, ocorreu no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado. Segundo as transcrições, foram ao local Cachoeira, ao qual o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores do contraventor, se refere como "o homem"; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito como sócio de Cachoeira; e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço direito, encarregado de obter facilidades nas Polícias Militar e Civil de Goiás.

Demóstenes estava em Brasília no dia, mas a PF não conseguiu concluir se ele esteve na reunião. Segundo as investigações, após o encontro o grupo seguiu para reunião com um advogado não identificado. "Encontramos com o homem aqui na 309. A gente está indo lá pro Gustavo, advogado no Lago Sul", diz Dadá.

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), quer uma rápida solução do Senado para o caso. O conselho reúne-se na terça-feira para eleger seu presidente, que conduzirá o pedido do PSOL de abertura de processo por quebra de decoro contra Demóstenes Torres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.