Senado deve abrir hoje ação para tirar Demóstenes

Expectativa é que Conselho de Ética, por unanimidade, aceite analisar pedido de cassação do mandato do senador; conselheiros acham situação 'delicada'

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2012 | 03h06

O Conselho de Ética do Senado deverá aceitar hoje pedido de abertura de processo disciplinar contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Será o primeiro passo para o início do processo de cassação do mandato do senador, que aparece na operação Monte Carlo, da Polícia Federal, como interlocutor constante do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

A expectativa é que o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) com o pedido de abertura do processo seja aprovado com a unanimidade dos votos dos 15 conselheiros. Na avaliação de um dos integrantes do conselho, a situação de Demóstenes é "delicada" e "nada confortável". Os senadores acusam Demóstenes de ter mentido ao negar ter relações com Cachoeira.

Este foi um dos argumentos usados por Humberto Costa no parecer de 63 páginas apresentado na semana passada. No relatório, Costa alegou que Demóstenes "faltou com a verdade", o que configura quebra de decoro, ao afirmar que militou contra a legalização dos jogos de azar no País e só mantinha "relações sociais" com Cachoeira, em discurso de 6 março, no plenário do Senado. Na ocasião, Demóstenes subiu à tribuna para explicar o recebimento de presentes de casamento de Cachoeira.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, deverá tentar adiar a votação prevista para hoje de manhã do relatório. Ele pretende insistir na concessão de novo prazo para apresentação da defesa de seu cliente. A tendência, no entanto, é que o pedido seja novamente negado pelo presidente do Conselho Ética, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).

Na semana passada, dizendo-se surpreendido com o teor do relatório de Costa, Kakay solicitou mais tempo para preparar nova defesa, mas teve a demanda rejeitada por Valadares.

Testemunhas. Com a provável aprovação hoje do pedido de abertura de processo por falta de decoro, o próximo passo do Conselho será a convocação de duas testemunhas: o próprio Demóstenes e Cachoeira. A expectativa é que o relatório final de Costa seja votado até o fim de junho. A votação do eventual pedido de cassação do mandato deverá ocorrer até o dia 17 de julho.

Ao defender a abertura de processo disciplinar, o relator disse que Demóstenes teria conhecimento das atividades ilícitas de Cachoeira. Costa argumentou que, como ex-procurador de Justiça e ex-secretário de segurança de Goiás, Demóstenes não tinha como desconhecer tais atividades de "contravenção", alardeadas durante a CPI dos Bingos do Senado, em 2006. Costa acusou Demóstenes de ter recebido "vantagem indevida" ao aceitar um aparelho de rádio-celular Nextel do contraventor. Este foi um dos telefones grampeados pela PF em que se detectaram quase 300 conversas entre Cachoeira e Demóstenes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.