Sem-terra deixam Instituto Lula após 32 horas de invasão

Após quase 32 horas, moradores do assentamento Milton Santos e estudantes que ocupavam a sede do Instituto Lula, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, deixaram pacificamente o local na tarde de ontem. De lá, seguiram para a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde tiveram uma reunião com o presidente nacional da entidade, Carlos Guedes.

ISADORA PERON , ROLDÃO ARRUDA , , O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h06

O grupo reivindica que a presidente Dilma Rousseff assine um decreto de desapropriação da área onde fica o assentamento, localizado em Americana, interior do Estado. A terra é alvo de disputa na Justiça, que determinou a reintegração de posse até o dia 30 deste mês.

Ontem o presidente do Incra reuniu-se com representantes da Justiça Federal e do Ministério Público em Piracicaba, onde corre o processo, e em São Paulo. "O governo vai fazer de tudo para manter o assentamento e as famílias que estão lá", disse Guedes. "Respeitamos a decisão judicial que, em caráter liminar, determinou a reintegração de posse. Mas estamos argumentando que não tem nenhum sentido determinar a reintegração de posse, com o despejo das famílias, enquanto não se resolver a questão do mérito."

Além das conversas, o governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), entrou ontem com dois recursos judiciais. Um deles tentando prorrogar o prazo de reintegração de posse. O outro reafirmando o direito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a área, que é reivindicada pelo grupo Abdalla.

Para os assentados, a presidente Dilma deveria desapropriar imediatamente a área, por interesse social. O governo, porém, pretende esgotar antes todos os recursos judiciais.

Em encontro de quase duas horas com os assentados, Guedes relatou as ações do governo e disse que, se necessário, o governo poderá desapropriar a área. Também afirmou que as famílias que ocuparam a sede do Incra poderão ficar lá, acompanhando o desenrolar das ações.

Segundo Jade Percassi, do Movimento dos Sem Terra (MST), ainda não há nenhum elemento jurídico que assegure que o despejo das famílias não irá ocorrer. "As famílias continuam bastante apreensivas com o desfecho dessa história", afirmou.

Com Dilma.Na tarde de ontem, após deixarem a sede do Instituto Lula, um dos representantes do movimento, o assentado Paulo Albuquerque, afirmou que, caso as negociações não avançassem, o grupo iria ao encontro da presidente Dilma Rousseff (PT) hoje. Dilma estará em São Paulo para as comemorações do aniversário da cidade e, entre outros c0mpromissos, tem um encontro marcada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A invasão do Instituto Lula foi uma tentativa para que o ex-presidente intercedesse e falasse com Dilma para solucionar o caso. Após a desocupação, a entidade divulgou nota afirmando que era solidário à causa, mas que o instituto não tinha "mandato ou autoridade para atuar como parte do movimento ou como negociador junto ao governo".

Antes de as mais de 80 pessoas que passaram a noite no Instituto Lula deixarem o prédio, os invasores chamaram a direção da entidade para fazer uma inspeção nas dependências. Após a vistoria, o ex-ministro Luiz Dulci, um dos diretores, afirmou que todos os cômodos estavam "limpos e em ordem".

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