Sem se explicar, Lupi tenta decretar fim da crise na pasta

Em entrevista, titular do Trabalho usa números de empregos para criar agenda positiva, mas foge de questões sobre relação com ONG

EDUARDO BRESCIANI, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h06

Depois de ganhar uma sobrevida da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tentou ontem implantar uma agenda positiva ao anunciar os números de contratações e demissões no País. Em entrevista coletiva, falou longamente sobre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mas irritou-se ao ser perguntado sobre as denúncias contra ele.

O ministro disse que não falaria do tema, ampliou o prazo para entregar informações prometidas ao Congresso e acabou por encerrar a coletiva sem dar explicações para as perguntas, sobretudo às relativas as suas relações com o diretor da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira.

Para tentar montar um ambiente mais favorável, a coletiva sobre emprego foi realizada no auditório do prédio da pasta e não na sala pequena ao lado do gabinete do ministro, onde acontece todos os meses.

Dessa forma, Lupi pode entrar e sair escoltado por assessores sem um contato mais direto com os jornalistas. O bom humor e as piadas frequentes nesse tipo de entrevista foram substituídos por uma postura mais sisuda. Lupi entrou sem cumprimentar ninguém e antes de qualquer manifestação reclamou com a equipe por não ter uma televisão onde pudesse ver a apresentação preparada para a ocasião. Procurou depois amenizar o clima: "Eu não tive educação, me perdoem", disse, concluindo a frase com um bom-dia aos presentes.

Durante cerca de 20 minutos, ele falou sobre os dados do emprego, que não são tão favoráveis e mostram desaceleração. Usou até números relativos ao início do governo Lula para tentar vender boas notícias sobre o tema. A primeira pergunta sobre a crise política, porém, provocou uma reação imediata: "Não vou falar de crise, preciso trabalhar". Depois disso, salvo por algum esclarecimento pontual, o ministro não conseguiu prosseguir com a entrevista.

Lupi acabou até falando sobre a crise ao prometer enviar até terça-feira para o Congresso a prestação de contas da ONG Pró-Cerrado, onde, segundo a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), poderia estar a explicação de quem pagou o voo do ministro pelo Maranhão. O Ministério do Trabalho nega que a nota do voo esteja nessa prestação de contas, como sugeriu a senadora.

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