Sem recursos, candidato diz fazer 'campanha fiado'

Chalita reconhece que está difícil obter doações, mas aposta reverter esse cenário com TV e rádio e melhora nas pesquisas

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h05

O candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, afirmou ontem, ao participar da série Entrevistas Estadão, estar fazendo campanha "fiado" por causa da dificuldade em obter doações. Embora tenha declarado à Justiça Eleitoral previsão de gastos de R$ 70 milhões ao longo do processo eleitoral, a arrecadação do peemedebista não chegou a R$ 1 milhão, conforme balanço parcial divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) na sexta-feira.

"Estamos fazendo campanha fiado. Toda campanha faz isso. Nenhuma delas está conseguindo pagar a máquina (de campanha)", declarou Chalita. Para o candidato, a dificuldade está em todas as candidaturas, não apenas na dele. "Está difícil conseguir. Queríamos arrecadação pela internet, mas ainda há burocracia. Tem muitas promessas de pessoas que vão ajudar."

Ao TRE, a campanha de Chalita declarou ter arrecadado R$ 400 mil, vindos do diretório nacional do próprio PMDB. E, desse total, R$ 197 mil foram repassados aos candidatos a vereador.

Doadores de campanha e os próprios comitês costumam usar pesquisas de intenção de voto como argumento para colaborar ou não com uma candidatura. Chalita tem obtido entre 5% e 6% nos levantamentos mais recentes, mas espera ficar mais próximo dos dois dígitos a partir desta ou da próxima semana, em consequência da exposição no horário eleitoral.

"As empresas vão ajudar. Eles pensam assim: 'Se eu ajudar agora, vou ter que ajudar duas vezes'", acredita Chalita. "Quando eles doam para um partido, tem que doar a todos. Isso que faz a lentidão na doação."

Skaf. Chalita também disse que há pessoas dentro do PMDB que estão trabalhando para ajudar seu comitê a obter recursos, como o economista Delfim Netto. Em seguida, perguntado por que não havia citado nessa lista o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf - que, como Chalita, também deixou o PSB e se filiou ao PMDB -, o candidato contou que o correligionário deve organizar um jantar com empresários para conseguir verbas, mas não há data marcada. A equipe de Chalita esperava maior apoio de Skaf na campanha, em especial na obtenção de doações de campanha.

Zona leste. A falta de recursos tem efeitos bem imediatos, como a ausência de propaganda em locais mais afastados, como a zona leste - região onde Chalita é pouco conhecido e tem seus mais baixos índices de intenção de voto. O próprio candidato reconheceu essa dificuldade e espera contar com a propaganda no rádio e na tevê para ampliar seu eleitorado na região mais populosa da cidade. "Gostaria de ter o tanto de cavaletes que os outros têm. Na rua, a (campanha) mais rica é do (candidato do PT, Fernando) Haddad", avaliou o peemedebista.

Sobre a eventual realização de um segundo turno na eleição, Chalita afirmou não ter um adversário "preferido". "Tanto faz. O que importa é estar no segundo turno e ganhar", afirmou.

O candidato, no entanto, arriscou alguns palpites sobre o cenário que pode encontrar. "Acho que o Haddad vai crescer, Lula é um cabo eleitoral fantástico. Serra não passa para a população que quer ser prefeito. É o homem que quer ser presidente (da República)", disse.

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