Eleições 2018: primeiro debate promete críticas a Temer e performance de Bolsonaro

Eleições 2018: primeiro debate promete críticas a Temer e performance de Bolsonaro

Encontro realizado pela Band não terá a presença do candidato do PT; conheça quem são os candidatos à Presidência da República que estarão presentes

Daniel Weterman, Marcelo Osakabe e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 21h27

Em meio ao clima de incerteza nas campanhas sobre a eficiência de ataques diretos a adversários, o primeiro debate presidencial das eleições 2018 na televisão deverá ser permeado de críticas ao governo do presidente Michel Temer. O confronto, que reúne oito candidatos, está agendado para as 22 horas desta quinta-feira, 9, na TV Bandeirantes, e também tem boas chances de trazer uma performance de Jair Bolsonaro (PSL) e declarações ácidas de Ciro Gomes (PDT), se depender das previsões traçadas pelas próprias campanhas. O debate é o primeiro dos 13 encontros previstos até o final do 1º turno das eleições

++ AO VIVO: primeiro debate das eleições 2018 para presidente, na Band

Líder nas pesquisas, o deputado do PSL, cuja campanha trabalha com a expectativa de que ele seja alvo dos ataques no debate, disse que usará o espaço para mostrar "o que pretende fazer para o Brasil". E o fará independentemente do que lhe for perguntado. "O cara pode perguntar de abóbora e eu responder só abacaxi", disse Bolsonaro nesta semana, quando questionado sobre seu plano para o debate. A estratégia não é nova. Já foi usada no passado, por exemplo, pelo ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PRP), em entrevistas coletivas.

Ciro, por sua vez, não economizará nas respostas, de acordo o presidente do PDT, Carlos Lupi. "A gente não leva desaforo para casa", disse o dirigente. Lupi ponderou que Ciro pretende usar debates e outros eventos eleitorais para compensar o tempo escasso no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Ainda assim, aproveitou para alfinetar o tucano Geraldo Alckmin ao falar sobre a partilha de tempo no horário eleitoral. "Acredito que Alckmin vai fazer igual Ulysses Guimarães em 1989 – vai ter tempo de TV demais, mas é um sonífero bom", disse.

Apesar de parte das campanhas trabalharem com a expectativa de que Alckmin poderia protagonizar um embate com Bolsonaro, a campanha do tucano nega que a ideia seja partir para o confronto. Como relatou nesta quarta-feira a colunista do 'Estado' Vera Magalhães, o clima nos partidos é de insegurança sobre a melhor estratégia para atacar o primeiro colocado nas pesquisas quando se retira do cenário o ex-presidente Lula. "Não vamos ficar em cima de candidato. O Brasil tem que discutir como aprovar as reformas, não embate pessoal", diz o coordenador do programa de governo tucano, Luiz Felipe D'Ávila.

Debate paralelo

O debate da Band, o primeiro entre presidenciáveis nas eleições 2018, não terá a presença do candidato do PT, uma vez que o partido decidiu registrar a chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Operação Lava Jato com o ex-prefeito e virtual plano B do partido Fernando Haddad na vice. Embalado pelo discurso de que Lula deveria estar presente no evento, o PT decidiu realizar uma transmissão paralela pela internet com Haddad. No vídeo, o ex-prefeito vai comentar o que os candidatos disseram na Band.

O PT deve investir no discurso crítico contra o governo Temer para atingir adversários. A ideia é associar Alckmin ao emedebista, sob o argumento de que os partidos do Centrão que fecharam com o tucano estão na base do atual governo e endossam medidas impopulares, como a reforma da Previdência e o teto dos gastos públicos. Para tentar neutralizar essa estratégia, a campanha tucana vai sustentar que uma aliança ampla é a condição para a aprovação de reformas. "Reforma se aprova com o voto da maioria do Congresso. Sem aliança não dá para fazer o que propomos", disse D'Ávila.

O discurso crítico a Temer deve ter ressonância também nas falas de Ciro ou ainda na exposição da ex-senadora Marina Silva. No caso da candidata da Rede, a ideia é usar o assunto para atacar a polarização histórica entre PT e PSDB. De acordo com interlocutores, ela dirá que ambos os partidos – e as legendas de 'centro' que os acompanham –, são parte do problema pelo qual passa a democracia brasileira. Marina também tentará capitalizar com a desistência de Manuela D'Ávila (PCdoB), que aceitou ficar no banco de reservas para depois assumir posteriormente a vice na chapa presidencial petista. Nesse caso, Marina tentará fazer "saltar aos olhos" o fato de ser a única mulher entre debatedores.

A chance dos candidatos desconhecidos

Com o desafio de despistar das críticas a Temer durante o debate, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles tentará usar o espaço para se apresentar ao eleitor. O emedebista, que segue sem conseguir decolar nas pesquisas, voltará a investir no discurso de que integrou também outros governos – inclusive os petistas – de forma a se desvincular da marca de candidato do governo. Também vai reforçar o lema "chama o Meirelles", ao afirmar que foi chamado a ajudar em momentos difíceis e contribuiu para que o País saísse melhor de situações desafiadoras.

Alvaro Dias, do Podemos, também tentará usar o debate para tentar ganhar visibilidade. Senador e ex-governador do Paraná, ele tem como desafio se tornar conhecido fora do sul do País, onde se concentra a maior parte de suas intenções de voto. "O que mais escuto na rua é que as pessoas ainda não sabem que sou candidato. Agora, nós podemos chegar a todo o País", afirmou ao Estadão/Broadcast

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.