Sem nome forte para 2012 em SP, PSDB mira 2014

Tucanos já trabalham com hipótese de não chegarem ao 2º turno na capital e planejam alianças com vistas à reeleição de Alckmin

Julia Dualibi, de O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h05

Diante do impasse da "não candidatura" tucana para prefeito de São Paulo, os principais líderes do PSDB já trabalham com o cenário em que o partido, como em 2008, nem sequer passa para o segundo turno da disputa. Nos bastidores, já é tratado com naturalidade o apoio do PSDB a outras siglas numa segunda etapa da eleição, em troca de aliança para reeleger o governador Geraldo Alckmin em 2014.

Na última semana, o Estado conversou com os principais líderes do partido. A maioria deles admite, reservadamente, que o quadro eleitoral é dramático. A situação se deteriorou após o PT ter formado, há cerca de dez dias, uma unidade, ainda que polêmica internamente, em torno do nome do ministro Fernando Haddad (Educação) como o candidato do partido.

Com o quadro pouco favorável, os principais aliados de Alckmin, nas reuniões políticas no Palácio dos Bandeirantes, começaram a desenhar a estratégia eleitoral de 2012 de olho na disputa para o governo do Estado em 2014. Apesar das declarações oficiais de que a eleição está distante, a principal preocupação do PSDB paulista hoje é reeleger Alckmin daqui a três anos.

A avaliação dos caciques tucanos é de que os pré-candidatos do PSDB - os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli - não unem o partido.

Kassab. Além disso, nenhum dos quatro traz o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, que tende a lançar candidato próprio, criando mais dificuldade no front tucano. O ex-governador José Serra amarraria o PSD numa aliança, mas o tucano não quer se candidatar, apesar dos reiterados pedidos para entrar na disputa.

Sem Kassab, a situação se complica. O partido fica sem discurso, avaliam os tucanos, e tende a repetir o erro de 2008, quando Alckmin não chegou ao segundo turno, após uma campanha que foi sufocada pelo discurso da oposição, com o PT de Marta Suplicy, e do governo, com Kassab.

Um candidato kassabista, como o vice-governador Guilherme Afif Domingos ou o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, teria potencial ainda de angariar votos no eleitorado mais conservador que vota no PSDB, dizem os tucanos.

Outro complicador apontado no PSDB é o fator Dilma Rousseff: o crescimento da popularidade da presidente na classe média a tornaria um cabo eleitoral até mais forte que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em recente reunião para discutir a perspectiva eleitoral entre os líderes do PSDB no Estado, foi colocado em pauta o cenário em que o PSDB não passa do primeiro turno. A avaliação geral foi de que o melhor quadro para Alckmin seria, então, um segundo turno entre Haddad e o deputado do PMDB, Gabriel Chalita, o que daria condições para os tucanos negociarem o apoio ao parlamentar em troca de uma aliança com os peemedebistas na reeleição do governador em 2014.

Mas há, entre os aliados de Alckmin, dúvidas sobre a candidatura de Chalita, já que Lula fará articulações para que o PMDB desista de lançá-lo, e também em relação ao fôlego do parlamentar numa eventual disputa.

A ênfase em 2014 também levou os tucanos a deixar as "portas abertas" para o PSB e o PDT. Ambas as legendas receberam sinais de que uma aliança em 2012 significa um entendimento mais amplo, que passa pela reeleição de Alckmin.

As prévias entre os quatro pré-candidatos estão marcadas para janeiro, mas a ideia é jogá-las para, pelo menos, março. Até lá, há um grupo que espera convencer Serra a entrar na disputa. Outro que trabalha para o apoio ao candidato de Kassab. Se nenhuma das alternativas funcionar, o PSDB tentará viabilizar um dos pré-candidatos, mas com o foco na eleição de 2014.

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