Sem Kassab, tucanos ampliam arco de apoios para isolar prefeito

Enquanto espera decisão do fundador do PSD, grupo ligado a Alckmin negocia alianças com DEM e PP na capital

JULIA DUAILIBIBRUNO BOGHOSSIANESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2012 | 03h04

Com o acordo PSD-PSDB em banho-maria na eleição para a Prefeitura, os tucanos intensificaram conversas com outras legendas para construir alianças que garantam a competitividade do candidato do partido na disputa.

O governador Geraldo Alckmin encontra-se hoje no Palácio dos Bandeirantes com o presidente estadual do DEM, Jorge Tadeu Mudalen, cuja legenda ameaça se aliar com o PMDB, do deputado Gabriel Chalita - anteontem Mudalen esteve com o vice-presidente Michel Temer, que capitaneia as articulações em torno do nome de Chalita.

Mais do que a aliança com o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, Alckmin quer assegurar um arco de alianças que dê ao candidato do PSDB tempo de televisão no horário eleitoral gratuito.

A avaliação do grupo ligado ao governador é que essa estratégia garante a viabilidade eleitoral de um candidato tucano. Por isso, o foco no DEM e no PP, donos do 4.º e 5.º maiores tempos de TV, respectivamente, atrás apenas do PT, PMDB PSDB.

A estratégia desagrada a tucanos ligados a Kassab, como aliados do ex-governador José Serra, que querem o foco na dobradinha PSD-PSDB. Hoje a aliança entre as duas siglas só sai se Serra for o candidato, o que ele descarta, ou se um dos lados ceder.

Kassab propôs um acordo para os tucanos segundo o qual indica o candidato a prefeito em troca do apoio à reeleição de Alckmin em 2014. A negociação pressupõe que o PSDB não terá a cabeça de chapa, o que Alckmin disse ser contra - o partido tem quatro postulantes ao cargo de prefeito, mas o governador quer que Serra seja o candidato.

Kassab pediu à cúpula do PSDB que desse uma resposta sobre o acordo até janeiro. Os tucanos descartam a possibilidade de qualquer definição neste momento, já que há prévias marcadas para março, o que contraria Kassab. Mas, como o governador não quer que o ônus de um fracasso na costura da aliança com PSD seja debitado na sua conta, diz apenas para os tucanos "jogarem o jogo" de Kassab.

O presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, se encontrará com Kassab nos próximos dias para dizer que o partido tem interesse na aliança. Mas, por enquanto, os tucanos não abrem mão da cabeça de chapa.

PT. Para os aliados do governador, a recente proposta de Kassab ao ex-presidente Lula - de apoiar o PT na eleição em troca de indicar o candidato a vice - não requer uma reação do partido e está relacionada à demora dos tucanos de responder ao acordo proposto pelo prefeito.

Ao avaliar que os petistas jamais aceitarão a aliança com o PSD na capital, os tucanos minimizaram o movimento. "O PT não vai aceitar um acordo com Kassab e perder seu discurso de oposição na capital", declarou um líder do PSDB. A cúpula tucana, entretanto, diz ter entendido o recado dado por Kassab ao encenar aproximação com o PT: o prefeito estaria disposto a abandonar o barco caso não avancem logo as negociações.

Ontem, questionado sobre a aproximação de Kassab com o PT, o governador limitou-se a dizer: "Isso é assunto partidário".

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