Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Sem Joaquim Barbosa, PSB racha e futuro eleitoral fica incerto

Partido se divide entre achar novo nome ao Planalto ou apoiar outra sigla; presidenciáveis buscam herdar votos de ex-ministro

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 22h16

O anúncio do ex-ministro Joaquim Barbosa de que não será candidato à Presidência da República pegou de surpresa não só integrantes de seu partido, o PSB, como lideranças políticas de outras legendas. A decisão abriu uma divergência no PSB sobre seu futuro eleitoral e levou outros partidos a buscarem o apoio dos pessebistas na disputa de outubro. No Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 8, durante encontro nacional de prefeitos, pré-candidatos ao Planalto acenaram com possíveis alianças.

Joaquim Barbosa anunciou a desistência por meio de sua conta oficial no Twitter por volta das 10 horas desta terça. Líderes do PSB foram avisados pouco antes da decisão. O ex-ministro ligou para o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, e enviou mensagem por WhatsApp para o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que comanda uma das alas mais influentes da sigla.

“Tomamos um café juntos na semana passada, no Rio, quando tratamos de uma série de decisões sobre contratação de assessores e conversas com especialistas, mas ele recuou”, disse Siqueira ao Estadão/Broadcast. Embora demonstrando frustração, o dirigente afirmou que a decisão de Barbosa não chegou a ser “completamente uma surpresa” para ele, pois o ex-ministro sempre deixou claro que tinha dúvidas sobre a candidatura.

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Siqueira disse que o partido vai definir nas próximas semanas como se posicionará nas eleições. A legenda está rachada. Há quem insista na tese de candidatura própria e quem defenda aliança com outros presidenciáveis. Os mais cotados para herdar esse apoio são o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), a ex-ministra Marina Silva (Rede) e até o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), apesar de a sigla ter aprovado resolução interna determinando apoio a um nome de centro-esquerda, caso não tivesse candidatura própria.

“Seja Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva ou qualquer nome hoje colocado, o PSB ganharia de um lado e perderia do outro. Precisamos de uma solução que não atrapalhe nossos 10 candidatos nos Estados”, afirmou o ex-deputado Beto Albuquerque, um dos vice-presidentes do PSB. Ele é um dos que defendem que o partido mantenha candidatura própria e busque outro nome alternativo à Barbosa. “Qualquer outro candidato não vai unificar”.

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No PSB, porém, há até quem ainda queira insistir na candidatura de Barbosa. Em reunião com integrantes da bancada nesta terça-feira, o líder da legenda na Câmara, deputado Julio Delgado (MG), disse que tinha enviado mensagem para o ex-ministro pedindo que ele refletisse “em nome do povo brasileiro” e reconsiderasse a decisão de não disputar o Palácio do Planalto neste ano. “O PSB não tem plano B. A eleição perdeu seu grande nome”, disse Delgado.

Outros parlamentares do PSB, porém, avaliam que o racha é inevitável por causa das conveniências eleitorais de cada Estado. Com a divisão interna, os demais presidenciáveis a intensificarem articulações para obterem o apoio do PSB. 

“Se dependesse de mim, já estávamos juntos com o PSB. Agora temos que respeitar. É outro partido, tem uma lógica própria. Vamos aguardar”, acenou Alckmin, que tem o governador paulista, Márcio França, como um dos principais aliados do PSB. França defende aliança da sigla com Alckmin no plano nacional em troca de apoio do tucano a sua reeleição no Estado.

PDT DE CIRO PREPARA OFENSIVA

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, já prepara ofensiva sobre lideranças do PSB para tentar consolidar a aliança. “Vamos aumentar essas conversas que, aliás, nunca paramos. Agora elas ganham outro patamar, porque agora é real a chance de aliança”, disse Lupi. 

Pré-candidato do PDT, o ex-ministro Ciro Gomes afirmou que, por ora, é difícil afirmar se a desistência favorece mais a esquerda ou a direita. “Ninguém sabe, porque ele não tinha se posicionado ainda. É uma pessoa que passou dois anos em horário nobre (na TV, durante o julgamento do mensalão), mas ainda não tinha se posicionado sobre economia, sobre desenvolvimento”, avaliou Ciro durante a 73.ª Reunião Geral da Frente Nacional dos Prefeitos, realizada em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

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A ausência de Barbosa na disputa também gerou discussões dentro do PT. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT) sugeriu que a direção nacional do partido procure a direção do PSB “imediatamente” para que a legenda seja incorporada a uma possível frente eleitoral de esquerda ainda no primeiro turno da eleição. Questionado se a união seria em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato e cuja pré-candidatura tem sido reiterada quase diariamente pela direção petista, o ex-ministro respondeu: “Em torno de quem a frente decidir”.

No Rio, o pré-candidato do Podemos Alvaro Dias afirmou que a ausência de Barbosa empobrece o debate e deixou aberta uma aliança. Ele disse ainda que gostaria de herdar votos do ex-ministro. “A ausência de Barbosa do processo eleitoral empobrece o debate, mas deixa espaço aberto para um candidato no campo da ética. Espero herdar votos de Joaquim Barbosa”. /IGOR GADELHA, FELIPE FRAZÃO, PEDRO VENCESLAU, RICARDO GALHARDO, ROBERTA PENNAFORT e RENATA BATISTA

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