Sem habeas corpus, Paulo Costa é levado para Curitiba

Justiça decide manter ex-diretor da Petrobrás preso e o transfere para o Paraná, onde corre a Operação Lava Jato

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h09

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, teve o pedido liminar de habeas corpus negado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Rio Grande do Sul. O ex-diretor prestou depoimento no Rio, mas deixou a cidade ontem, a caminho de Curitiba, porque o inquérito corre na Superintendência da PF no Paraná.

A operação investiga organizações criminosas que atuam na lavagem de dinheiro e podem ter movimentado R$ 10 bilhões. Costa participou de decisões relacionadas à polêmica compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), quando era diretor da Petrobrás, e está em prisão temporária de cinco dias - até segunda-feira. Seu advogado, Fernando Augusto Fernandes, disse ao Estado que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça, mesmo antes de o pedido de habeas corpus ter sido julgado no Tribunal Regional Federal.

Os advogados também tentaram, em vão, impedir a transferência para Curitiba. "Nosso cliente já prestou dois depoimentos na PF do Rio e ficará em silêncio até ser solto", afirmou Fernandes.

Destruição. A Operação Lava Jato foi deflagrada na última segunda-feira. Fernandes informou que Costa prestou um primeiro depoimento nesse dia, ainda sem orientação de advogados. Anteontem, ele foi preso, por suspeitas, segundo a PF, de "tentativa de destruição e inutilização de documentos que poderiam servir de prova nas investigações" da operação.

O ex-diretor nega as acusações. De acordo com Fernandes, ele disse que sua filha foi ao escritório da consultoria Costa Global, na segunda-feira, após a os policiais cumprirem mandados de busca e apreensão, para buscar documentos pessoais seus. O escritório da filha de Costa estaria em obras e, por isso, ele havia deixado documentos com o pai.

Nas buscas que fez na casa de Costa, a PF apreendeu, em espécie, US$ 180 mil e cerca de R$ 720 mil. Segundo a PF, o doleiro Alberto Youssef - também preso na operação e condenado no caso Banestado -, teria dado em março de 2013 uma Land Rover a Costa. O ex-diretor afirmou que ganhou o veículo por serviços de consultoria prestados e que não há relação do presente com seu cargo na estatal.

O advogado criticou a decisão de prendê-lo e a rejeição de seu pedido liminar de habeas corpus. "Costa é acusado de corrupção passiva, mas ele não é funcionário público há dois anos e não cabe prisão para esse tipo de crime", justificou o advogado Fernandes.

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