Sem desistir de Skaf, Dilma vai 'turbinar' Padilha

Coordenadores da campanha da presidente temem que Alckmin vença no primeiro turno se candidatura petista seguir estagnada

VERA ROSA, RICARDO BRITO E RICADO DELLA COLETTA, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2014 | 19h13

Atualizado em 28.07

Em nova tentativa de evitar que a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência ganhe espaço em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff decidiu impulsionar o candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha. O temor do governo e da cúpula do PMDB é que a campanha de Padilha fique estagnada, quadro que contribuiria para a vitória do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno, beneficiando Aécio no maior colégio eleitoral do País.

A estratégia de um palanque duplo em São Paulo abre espaço para Dilma fazer propaganda ao lado do candidato do PMDB ao Palácio Bandeirantes, Paulo Skaf, influente no meio empresarial. A presidente tem registrado maior rejeição em São Paulo do que em outros Estados e a associação a Skaf visa diminuir a essa resistência.

Ao mesmo tempo, ela também aparecerá com Padilha, que foi ministro da Saúde em seu governo e com quem fechou na semana passada a primeira agenda de campanha casada em São Paulo, no início de agosto. Ela foi aconselhada pelo marqueteiro João Santana a não deixar a canoa do PT afundar sem socorro.

A coordenação da campanha de Skaf também está preocupada com a estagnação de Padilha. A avaliação interna é que se o petista não atingir dois dígitos nas pesquisas de intenção de votos, com patamar acima de 15%, os candidatos da aliança que sustenta Dilma no plano federal não conseguirão forçar o segundo turno em São Paulo.

Nesse cenário, nem Skaf nem Padilha teriam chances e Alckmin venceria a disputa ainda na primeira rodada, fortalecendo o palanque de Aécio. Aliados de Dilma e de seu candidato a vice, Michel Temer, de um lado, e de Skaf, do outro, admitem que é preciso que Padilha cresça para ajudar a presidente no Estado.

Coordenadores de campanha de Dilma avaliam que é necessário ter um terceiro candidato com boa captação de votos no Estado. E olham para o retrovisor para ancorar a análise. Em 2010 e 2006, os candidatos do PT tiveram mais de 30% dos votos. Mas o terceiro colocado na disputa teve apenas cerca de 5%. O resultado foi a eleição, já em primeiro turno, dos tucanos Alckmin e José Serra, respectivamente. Em 2002, 1998 e 1994, quando houve segundo turno, os terceiros colocados tiveram, no mínimo, cerca de 15%.

Distensão. Skaf tem feito de tudo para não aparecer junto com Dilma, sob o argumento de que a imagem dela está desgastada. No sábado, o peemedebista deu mais uma mostra que quer ficar longe da presidente. Em uma agenda de campanha em Franca, no interior de São Paulo, repetiu que está descartada a possibilidade de abrir palanque para a presidente. "Se apoiar o PT, eu sou um maluco", afirmou. "Entendo assim, muito claramente: o PT é um adversário nosso assim como o PSDB. Em relação a palanque duplo, isso confunde o eleitor."

Coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, disse ontem que Skaf vai "arcar com as consequências" se não apoiar a presidente. "Acho que é um erro o Skaf não colocar o nome dele junto com o da Dilma." Marinho disse ainda que pediu uma reunião com o PMDB para discutir a questão, "mas o Skaf está fugindo do assunto".

Marinho participou da posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Também presente ao evento, Padilha ironizou a declaração de Skaf de que seria "maluco" se apoiasse a petista. "Sou louco pela Dilma e pelo Lula", disse o candidato petista. "Falei para o Marinho que comigo não precisa enquadrar. Desde o começo defendo o legado de Dilma."

Além da distância de Dilma, a campanha do peemedebista se ressente do fato de Padilha ter chamado Skaf de"candidato-patrão". "Não atacamos nunca. As agressões partiram do PT", afirmou o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, coordenador da campanha de Skaf./ COLABOROU PEDRO VENCESLAU

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