Sem comissões, PSD negocia bloco com PSB

Após ter tido o direito de assumir cargos na Câmara negado, partido de Kassab quer atuar em conjunto com siglas para garantir espaço legislativo

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2012 | 03h06

Ainda sob o impacto do revés sofrido no Supremo Tribunal Federal (STF), que negou pedido para que o PSD tenha o direito a presidir comissões permanentes da Câmara, o partido do prefeito Gilberto Kassab avança nas negociações para formar um bloco com o PSB do governador Eduardo Campos na Câmara dos Deputados.

Com 47 deputados, o PSD passaria a integrar informalmente o bloco hoje composto pelo PSB, PTB e do PC do B, que somam 63 deputados. Além de tentar abocanhar cargos em comissões com o bloco, o partido de Kassab também se credenciaria para entrar na disputa da sucessão do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).

"A costura é embrionária para o bloco informal, mas com 110 deputados podemos lançar candidato à presidência da Câmara ano que vem", disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Hoje, o PT é a maior bancada da Câmara, com 86 deputados, seguido pelo PMDB, com 76 deputados. O novo bloco passaria a ser a maior força política da Câmara.

O líder do PSD, deputado Guilherme Campos (SP), confirma as conversas com o PSB. "O PSB foi nosso parceiro desde a fundação do PSD", lembrou, ao informar que as negociações estão restritas, por enquanto, aos socialistas. "Não conversamos nem com o PTB nem com o PC do B."

Mas a entrada do PSD no chamado bloquinho só poderá ser informal. Pelo regimento, os blocos podem ser formalizados só na véspera das eleições do comando da Casa.

Resistência. Mesmo que informalmente, a ida do PSD para o bloquinho enfrenta resistência dentro do próprio PSB e do PC do B. "O ingresso do PSD não é possível porque significa que eles teriam de ingressar na base do governo", disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. "O que temos discutido é uma ação eleitoral comum", afirmou.

Ontem, Campos almoçou com Kassab em São Paulo. Nos próximos dias, ele vai se reunir, provavelmente no Recife, com o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, e a líder do partido na Câmara, Luciana Santos (PE), para discutir a eventual composição com o PSD.

Os defensores da adesão do PSD ao bloquinho argumentam que o partido foi mais fiel ao governo Dilma Rousseff na votação do projeto de lei que cria o fundo de previdência complementar dos servidores públicos do que socialistas e comunistas. "O PSD votou mais com o governo do que nós", disse Delgado.

As conversas para a entrada do PSD no bloco referem-se à eventual adesão do PSB à candidatura do tucano José Serra à prefeitura de São Paulo. "É preciso saber qual vai ser o comportamento do PSD na Câmara. Ele (PSD) vai votar no Serra e no Congresso fica com Dilma?", questionou o deputado Silvio Costa (PTB-PE). "Não dá para fazer isso."

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