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João Bosco Rabello
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Sem as rédeas políticas

À medida que aumenta o coro dos descontentes com a anemia política da presidente Dilma Rousseff, crescem os rumores quanto à disposição do ex-presidente Lula de voltar a disputar o mandato presidencial em 2014. Nessa hipótese, seria ele - e não Dilma - o candidato do PT ao Planalto, troca justificada por um cenário econômico e político adverso previsto para até o final deste ano.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h07

A insistente crítica da base aliada à incapacidade de articulação do governo com o Congresso, se faz acompanhar com frequência crescente de comparação com a fase do ex-presidente no poder.

Tal nostalgia revela, antes de tudo, o esgotamento de um modelo que o senador Aécio Neves chamou de "governismo de cooptação", sintetizado numa base de sustentação obesa, de apetite fisiológico insaciável, sem a contrapartida do apoio aos projetos realmente substantivos como as reformas estruturais tentadas pelo Planalto.

O estresse nas relações da presidente com sua base abre caminho para um clima favorável à candidatura do ex-presidente, cuja desenvoltura e desapreço pela liturgia institucional o tornam cada vez mais ativo na cena política, sugerindo que o movimento tem seu estímulo. Mais que isso, é voz corrente, mesmo na oposição, que a situação só não é pior graças a suas intervenções junto à presidente, que aparentam submissão a um monitoramento permanente de suas ações.

Dando-se credibilidade à tese, sua consequência mais imediata seria o recuo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a quem se atribui a afirmação de que só a candidatura de Lula provocaria o fim da sua própria. Os principais líderes do PSB negam essa possibilidade, embora creditem ao ex-presidente a permanência do partido na estrutura do governo, que por Dilma já teria acabado.

Entre os muitos erros políticos apontados pelos críticos da presidente está justamente o tratamento hostil dispensado a Campos, que desconsidera o cenário de um segundo turno com o apoio do governador. A ruptura agora, com a retirada dos cargos do PSB, inviabilizaria um acordo futuro na hipótese bastante provável de Aécio Neves chegar ao segundo turno à frente do PSB.

Um acordo com o tucano torna mais difícil também a candidatura de Campos em 2018, pois projeta a reeleição de Aécio, se mantida a tendência de dois mandatos para cada presidente verificada nos últimos 16 anos. Já na hipótese de reeleição de Dilma, o caminho estaria aberto a todos, o que indica a conveniência do governador em se aliar ao PT, uma vez fora da disputa.

Por ora, Campos trabalha para alcançar pelo menos 12% das intenções de voto nas pesquisas até outubro, quando planeja comunicar formalmente a Dilma sua candidatura e desembarque do governo. A candidatura de Lula é hipótese admitida, mas tema evitado.

Sem altar

O ministro da Integração, Fernando Bezerra, já está fora dos planos do governador Eduardo Campos, para quem ele vacila ante a tentativa do governo de cooptá-lo. Um líder do partido ironiza: "Ele pensa que é a noiva, mas eles querem é o altar".

Em baixa

Lula prefere o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para o governo de São Paulo. Teme a péssima avaliação da saúde.

De acordo

A oposição pensa a mesma coisa. "Preferimos o Padilha. A saúde é mal avaliada", diz o líder do PSDB, senador Aloysio Nunes.

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