Sebastião Moreira/Agência Estado
Sebastião Moreira/Agência Estado

Sem apelo, outsiders ainda tentam decolar em eleição estadual no Rio

A vinte dias das eleições, Marcia Tiburi (PT), Wilson Witzel (PSC) e Marcelo Trindade (Novo) têm entre 1% e 2% da preferência do eleitor

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2018 | 12h23

RIO - Em crise financeira e política, o Estado do Rio tem três candidatos ao governo nas eleições 2018 que estreiam em eleições se apresentando como opositores da “velha política” de caciques do MDB hoje presos por corrupção, como Sérgio Cabral e Jorge Picciani (em domiciliar). A vinte dias das eleições, a filósofa Marcia Tiburi (PT), o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) e o advogado Marcelo Trindade (Novo) ainda buscam se tornar conhecidos do eleitorado nas ruas e nas redes sociais, mas seguem com patamares entre 1% e 4%  nas pesquisas de intenção de voto.

Escolhida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa, Marcia cola sua imagem à dele e promete dar tratamento igualitário a todas as camadas sociais no que diz respeito ao acesso à saúde e à educação de qualidade e à segurança pública. Busca especialmente o voto feminino, e vem fazendo vídeos com críticas aos oponentes mais bem posicionados nas sondagens eleitorais – os dois primeiros colocados são tachados de “o traidor” (Eduardo Paes, do DEM) e “o caloteiro” (Romário, do Podemos).

“A situação no Rio é desesperadora, e essa catástrofe vem desse ‘mais do mesmo’. Não é à toa que a maior parte dos indecisos é de mulheres: elas não se sentem representadas”, diz Marcia, gaúcha de 48 anos cujo jingle de campanha rima “novidade” com “vontade”. “Estou sendo muito bem recebida. Digo: ‘sabe por que você não me conhece? Porque nunca fui candidata’. Aí explico meus motivos”.

Trindade prega a privatização de empresas públicas, a começar pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e pelas estradas estaduais, como forma de melhorar os serviços à população, a estruturação de um plano de austeridade em “todos os setores não essenciais”, de modo a sanear R$ 9,2 bilhões em quatro anos, e a estabilidade a comandos das polícias, para dar mais eficiência ao trabalho e cobrar metas no combate à criminalidade.

Especializado em direito societário, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Trindade é carioca, tem 53 anos e acredita que o cerne dos problemas do Rio está na má gestão dos recursos.

“O sistema é feito para que não entre ninguém de fora. São quatro segundos de TV, o que é um escárnio, e os partidos tradicionais fazem um trabalho subterrâneo para confundir o eleitor. Mas tenho a melhor capacidade de gestão. É o que esses políticos não têm”, argumentou. Seu slogan defende um Rio “como tem que ser”.

Witzel, que abriu mão de salário de R$ 29 mil (brutos) para entrar na política (seguirá advogando), se coloca como o candidato anticorrupção e com condições de resolver o nó da segurança por meio do uso da inteligência. Defende uma força-tarefa contra o narcotráfico e as milícias, sob a lógica que norteou a Polícia Federal na Lava Jato, de rastreamento do dinheiro lavado.

“Nos últimos 40 anos a política pública de segurança vendo sendo realizada de forma equivocada. Investe-se muito em policiamento e não nas investigações”.

Witzel tem 50 anos, é de Jundiaí (SP) e se anuncia nas redes sociais como alguém que “deixou de ser excelência para se juntar ao povo”.

O Estado perguntou por que os ‘outsiders’, os três com experiência como professores, estão postulando a um cargo que pode ser considerado por alguns “o pior emprego do mundo”, diante da complexidade de tarefa de reerguer o Rio. 

"O pior emprego é aquele que você não quer fazer, que não te realiza. Ouço o tempo todo que os políticos tradicionais, que sequestraram o Estado, não representam mais ninguém. Seria uma honra", disse Trindade.

“Minha condição de feminista me motiva. É necessária uma ruptura com o pensamento machista e oligárquico desses que se acham donos do Rio. O governo hoje é ausente, eu serei uma governadora presente”, argumentou Marcia.

“O presidente do tribunal ficou muito preocupado com a minha decisão. Mas eu sempre fui apegado a desafios, não a cargos. Ser governador seria o melhor emprego do mundo”, afirmou Witzel.

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