Sem Alckmin, PSDB vai às ruas pedir votos para Kassab

Presidente do PSDB municipal disse que militantes e políticos tucanos vão trabalhar com 'entusiasmo' do 1º turno

Carolina Freitas, da Agência Estado

08 de outubro de 2008 | 17h44

O presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, garantiu nesta quarta-feira, 8, que militantes e políticos tucanos vão pedir no segundo turno votos para o prefeito e candidato à reeleição,  Gilberto Kassab , do DEM. "Vamos às ruas com o mesmo entusiasmo do primeiro turno", disse Lobo, depois de um longo almoço no apartamento de Kassab, na zona sul da capital. "Não é absolutamente um apoio apenas formal."  Veja Também: Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?    O candidato tucano derrotado, Geraldo Alckmin, no entanto, deve ficar fora da campanha pelo democrata. "Ele pensa em viajar a algumas cidades do interior de São Paulo e de outros Estados para apoiar candidatos do PSDB e do DEM", informou Lobo. No primeiro turno, o governador José Serra, do PSDB, usou estratégia semelhante à de Alckmin para se esquivar de pedir votos ao lado do correligionário, a quem deu um apoio protocolar. Nos bastidores, Serra trabalhou pela reeleição de Kassab. Acusado por Alckmin de 'cooptar' tucanos e ser 'dissimulado', Kassab não demonstrou hoje nenhum ressentimento. "Essas colocações têm de ser examinadas sob outra ótica, com frieza", disse, ao lado de Lobo. "No primeiro turno, o ex-governador (Alckmin) tinha sua vontade de vencer as eleições. E nós tínhamos a nossa. Se não tivesse divergência, não haveria duas candidaturas", analisou. "O importante é que o PSDB veio aqui dizer que o melhor para São Paulo é a nossa candidatura." Kassab lembrou ainda sua forte ligação com o PSDB desde o início das eleições e a presença de tucanos em sua campanha. "A aliança, do ponto de vista político e administrativo, continuou", afirmou o prefeito. "Nada mais natural do que o ex-governador, não estando no segundo turno, dar seu apoio a minha candidatura." Lobo e Kassab fizeram questão de relembrar as tentativas dos líderes democratas e tucanos para que a aliança entre os tradicionais aliados fosse mantida já no primeiro turno. "Os dirigentes do DEM e do PSDB sempre se esforçaram muito por uma única candidatura", disse Kassab. Em seguida, a contrariedade com o lançamento da candidatura Alckmin foi reforçada por Lobo: "A aliança não foi possível, apesar do esforço." Plano de governo Com propostas muito semelhantes às de Kassab para governar a cidade, o PSDB passa a apoiar o prefeito, mas isso não deve provocar mudanças significativas no plano de governo do democrata, já que o programa de Kassab segue as diretrizes traçadas pelo tucano José Serra, que deixou a Prefeitura nas mãos do democrata em 2006 para concorrer ao governo do Estado. "Há quase convergência total de linha de ação e pensamento", afirmou o coordenador de programa de Kassab, Guilherme Afif Domingos, do DEM. "O próprio Serra disse que ele (Kassab) seguiu rigorosamente seu receituário." O presidente do PTB estadual, Campos Machado, que concorreu como vice na chapa de Alckmin no primeiro turno, também anunciou hoje "apoio irrestrito" a Kassab. Segundo o próprio prefeito, há "entendimentos bastante avançados" também em curso com o PPS, de Soninha Francine. Apesar do ampla grupo de apoio que forma em torno de sua candidatura, Kassab disse não acreditar em transferência direta de votos. "Temos uma aliança politicamente ampliada neste segundo turno, mas voto se consegue em conversa com o eleitor", afirmou o prefeito no final da manhã, depois de vistoriar o viaduto Artur Alvim, na zona leste, e pouco antes de emendar uma rápida caminhada de campanha por Ermelino Matarazzo, sempre debaixo de chuva. "O eleitor vota em quem confia."

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