Sem Alckmin e Serra, PSDB anuncia apoio a Kassab no 2º turno

Para presidente do partido, 'caminho foi trabalhoso', mas trará resultados; na campanha, Alckmin atacou Kassab

Anne Warth, da Agência Estado,

07 de outubro de 2008 | 14h47

O PSDB acaba de oficializar apoio ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa com Marta Suplicy (PT) o comando de São Paulo. Em um anúncio sem a presença do candidato tucano derrotado neste primeiro turno, Geraldo Alckmin, do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e do próprio Kassab, lideranças locais e nacionais do partido referendaram a candidatura do democrata. Na avaliação dos líderes tucanos, Kassab manteve as diretrizes e aprofundou as propostas de Serra, prefeito eleito em 2004, que deixou o cargo para disputar o governo do Estado.   Veja Também: Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?   Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  Galeria de fotos dos candidatos à Prefeitura   Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições   O presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra, admitiu que acompanhou com "enorme preocupação" a situação eleitoral na capital paulista - no primeiro turno, quando Alckmin deferiu ataques a Kassab, na tentativa de ultrapassar o candidato e chegar ao segundo turno. Apesar disso, ele destacou que optou por respeitar a decisão das instâncias locais do PSDB, que defenderam a candidatura própria. "Do ponto de vista nacional, o caminho percorrido aqui foi trabalhoso, mas trará resultado, os resultados vão compensar. Podemos dizer que ganharemos as eleições em São Paulo", afirmou. "Confirmadas as expectativas da eleição de Kassab para a Prefeitura de São Paulo, nós poderemos dizer que ganhamos a eleição com absoluta clareza, transparência e evidência", acrescentou.    O vereador reeleito Gilberto Natalini disse que não foi à reunião para "não criar problemas" e voltou a afirmar que sua posição já estava definida deste janeiro. "Se o PSDB está com problema existencial, isso é problema deles. O apoio está definido desde domingo, hoje é só para tirar foto. O resto já está selado". E disse que nenhum tucano que seja normal vai apoiar a Marta no segundo turno. "Só se for louco", disse ao estadao.com.br. "Vai apoiar o Kassab, é claro. É 2010", disse. Natalini é um dos tucanos-kassabistas, que brigaram antes do anúncio das candidaturas em São Paulo pelo nome de Gilberto Kassab, chapa única. No entanto, ele descarta a saída do partido. "De jeito nenhum".   O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que apoiou a candidatura de Alckmin para a Prefeitura de São Paulo, mas ponderou que a ida de Kassab para o segundo turno foi o reconhecimento da gestão do prefeito. "Ele mostrou ao povo de São Paulo que é capaz", opinou. "A cidade reconheceu que teve um bom gestor, que deu continuidade ao governo de José Serra", avaliou. O ex-presidente destacou ainda que o partido teve um excelente desempenho no Estado de São Paulo como um todo, elegendo 203 prefeitos tucanos e mais de 300 se consideradas as cidades onde o PSDB se coligou com o partido vencedor.   De acordo com ele, o partido enfrentou muitas vezes adversários que utilizaram as vantagens da máquina pública. "E na capital paulista, onde se achava que haveria dificuldade, fizemos a maior banca da Câmara de Vereadores. Isso mostra a vitalidade do PSDB.", analisou. "Não tenho dúvida nenhuma de que ganharemos as eleições em São Paulo".   Partido unido   Apesar da ausência de Serra e Alckmin no anúncio, feito na sede do diretório estadual do PSDB, FHC ressaltou que o partido está unido em torno da candidatura de Kassab. "O nosso encontro aqui é simbólico porque mostra aquilo que foi negado o tempo todo: o PSDB é um partido que sabe refazer-se a todo instante e apesar de divergências pontuais, no momento essencial ele se junta pensando nos interesses da população ", frisou.   O presidente municipal do PSDB, Jose Henrique Reis Lobo, destacou que Alckmin foi lançado candidato com legitimidade da maioria do partido e ao dizer que acataria a decisão do PSDB, depois da derrota nas eleições desse domingo, mostrou-se um homem "digno, correto e de alto espírito partidário".   FHC considerou que Alckmin se comportou "com retidão e desprendimento" após a derrota. "É claro que o partido tinha que apoiar o Kassab", disse. FHC que foi criticado pela candidata do PT, Marta Suplicy, durante toda a campanha, evitou entrar em conflito com a ex-prefeita. A petista disse que recebeu a cidade quebrada e teve muita dificuldade para administrá-la durante os dois anos em que FHC foi o presidente (2001 e 2002), pois o País estava em crise econômica. "Ela (Marta) gosta muito de mim", ironizou.   Diante da insistência dos repórteres, FHC alfinetou: "É paixão." FHC minimizou a ausência de Serra e de Alckmin no evento, disse que a tentativa de Marta em associar Kassab aos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta não funciona. "Isso já foi tentado", declarou.   (Com Andréia Sadi, do estadao.com.br)

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