Sem acordo, PSDB esvazia sua convenção

Encontro de domingo deixará para a cúpula do partido de Serra definição de chapa de vereadores

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h07

Ainda sem acordo sobre a escolha do vice de José Serra e sobre a formação de uma chapa única de vereadores com os partidos aliados, o PSDB paulistano abriu uma brecha para delegar as decisões a sua cúpula, depois da convenção marcada para domingo. Com a manobra, os tucanos ganham tempo para as negociações e podem evitar uma derrota para o grupo de Serra.

A equipe de campanha tenta chegar a uma definição sobre os dois temas nos próximos dias, mas o edital da convenção permite que o partido adie as decisões para o dia 30 de junho. Com isso, os tucanos ganhariam tempo para negociar a indicação do vice de Serra com as siglas aliadas - especialmente PSD e DEM.

Também falta acordo sobre a coligação na eleição para vereador. Os partidos que declararam apoio a Serra exigem a formação de uma chapa única, mas sofrem resistência de grupos tucanos.

Aliados do pré-candidato acreditam que a aliança pode ser barrada se for levada a votação dos delegados do partido no próximo domingo, em um evento que deveria ser uma "festa". A estratégia de delegar a decisão à executiva municipal do partido seria uma saída para garantir mais tempo às negociações internas e colocaria a decisão nas mãos de um grupo menor.

Caso não haja consenso sobre o assunto até a convenção de domingo, o partido deve apresentar aos 1.245 participantes do encontro uma cédula em que devem aprovar a transferência do poder de decisão à executiva municipal, que tem 18 integrantes.

A convocação para a convenção do partido foi assinada ontem pelo presidente municipal do partido, Júlio Semeghini, e será publicada amanhã.

Uma derrota da proposta de formação de uma chapa única de vereadores no domingo seria um revés para Serra. Ao receber o apoio do PSD, do DEM, do PR e do PV, a equipe do pré-candidato prometeu a coligação a esses partidos na disputa por vagas na Câmara Municipal.

Nesse tipo de aliança, o número de vereadores eleitos por chapa é calculado a partir da soma de votos recebidos pelas legendas que integram a chapa. Os partidos aliados de Serra acreditam que se beneficiariam dos votos recebidos pelo PSDB.

Grupos tucanos - entre eles um time de aliados do secretário estadual de Energia, José Aníbal, derrotado por Serra na prévia do PSDB - fazem uma campanha interna contra a coligação de vereadores e ameaça barrar a proposta de formação de uma chapa única na convenção. Eles alegam que o PSDB perderia vagas na Câmara Municipal caso precisem dividir espaço com os partidos aliados.

Ligado a Aníbal, o 1.º vice-presidente municipal do PSDB, João Câmara, anunciou ontem, durante uma reunião, que renunciaria a seu posto.

Serra pediu que o governador Geraldo Alckmin agisse para impedir uma derrota interna da proposta de coligação, mas o partido ainda não chegou a um consenso sobre o assunto.

Vice. Os tucanos também temem que não haja consenso no partido para a escolha do companheiro de chapa de Serra até o dia da convenção. A definição do partido que vai indicar um nome para a vaga depende de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode determinar se o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, tem direito a uma fatia maior do fundo partidário, e de tempo na propaganda eleitoral na televisão e no rádio.

O julgamento está previsto para quinta-feira. Caso o PSD vença o embate jurídico, ganhará peso para exigir a vice e indicar o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider. Nesse cenário, o DEM seria prejudicado e perderia espaço na TV e no fundo partidário. Por outro lado, se o PSD for derrotado, o DEM vai insistir em indicar Rodrigo Garcia para a vice.

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