Celio Messias|Estadão
Celio Messias|Estadão

Sem a estrela, o vermelho e Dilma, Edinho pede votos

Único ex-ministro petista na campanha, ele disputa prefeitura de Araraquara

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2016 | 19h00

A primeira imagem do programa eleitoral do programa eleitoral de TV do candidato à prefeitura de Araraquara, no interior paulista, Edinho Silva (PT) é de uma senhora que olha para a câmera e pede: “Volta, Edinho”. Embora seja apenas mais uma peça publicitária, o pedido deve ecoar na cabeça do homem que já foi uma das figuras-chave na estrutura política do PT e ministro forte do segundo governo Dilma Rousseff como um eventual (e necessário) retrocesso.

Ele, porém, enfrenta sérias dificuldades. No início deste mês, a Procuradoria da República no Distrito Federal requisitou à Justiça Federal a abertura de inquérito para investigar suposta prática de corrupção e lavagem de dinheiro pelo ex-ministro da Comunicação Social. Além disso, sua performance como tesoureiro da campanha petista de 2014, que resultou em arrecadação de R$ 318 milhões, tem sido investigada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, caixa 2 é um termo que ainda assombra o candidato – e barreiras para pretensões cosmopolitas. 

O quadro é bem diferente quando olhamos de perto, quando olhamos para um ponto localizado a 251 km da capital, quando olhamos para Araraquara. Segundo a mais recente pesquisa Ibope, Edinho vai bem. Ele aparece com 36% das intenções de voto – seguido pela ex-mulher Edna Martins (PSDB), com 15%; Aluísio Boi (PMDB), 9%; e João Farias (PRB), 7%.

A eleição local tem suas particularidades. Edinho já foi prefeito de Araraquara por dois mandatos (2001-2008). Tem um recall enorme entre um eleitorado que ainda “não entrou na campanha”. O Estado perguntou para eleitores quem eram os candidatos à prefeitura e, invariavelmente, o primeiro a ser lembrado (quando não o único) era Edinho. Como se não bastasse, não se veem bandeiras, cartazes, santinhos ou militância nas ruas. A “frieza” do embate político tem beneficiado o nome “famoso”. 

Desconstrução. O deputado estadual Roberto Massafera (PSDB-SP), um dos coordenadores da campanha de Edna, diz que o trabalho da oposição é desconstruir a imagem de administrador competente que teria grudado em Edinho. “Ele administrou a cidade no auge do governo Lula. O dinheiro jorrava, e a proximidade dos dois favoreceu. Hoje, ele não tem mais força no governo, não tem interlocução. Seria desastroso”, diz. 

Mas o recall sozinho não explica a predominância do candidato petista. Petista? Sim, Edinho é um quadro que pode ser considerado histórico no PT, mas sua campanha omite a estrela, o vermelho, Lula e Dilma. 

O primeiro horário eleitoral gratuito não citou nada que pudesse lembrar o partido. Lula não está lá, Dilma também não. Toda a comunicação visual da campanha é azul e verde. Em panfletos e cartazes, a estrela do PT aparece tímida, estilizada, em um fundo branco. “O marqueteiro do Edinho está escondendo o PT da campanha”, diz João Farias, adversário do petista. Edinho responde a essa insinuação dizendo que “é um candidato de coligação e não só do PT”.

No lançamento de um candidato a vereador na noite de quinta-feira, Edinho mostrou que a ênfase da sua campanha são os temas locais – falou-se de creches, programas de saúde e outras benfeitorias. “Nós temos de trazer os temas nacionais para a campanha. A cidade não pode servir de advogada de um candidato”, diz Aluísio Boi (PMDB), outro adversário.

Por falar em temas nacionais, Edinho tem falado sobre o impeachment de forma genérica. “É preciso separar o que é boato do fato. Mas os eventuais erros devem ser assumidos”, diz. 

Em família. O “passeio” momentâneo de Edinho tem mais uma explicação: seus adversários. Edna faz uma oposição respeitosa (ela foi casada com o petista e tem um filho com ele). A campanha tucana dela não tem “batido” nas questões nacionais ou éticas envolvendo o ex-marido petista. A relação entre os dois é boa e parece que não deve ser estremecida. 

Já o candidato Aluísio Boi tem o ônus de ser do mesmo partido do atual prefeito. Como a avaliação de Marcelo Barbieri (atual prefeito) não é boa, Aluísio tem dificuldades de crescimento. Já Farias foi chefe de gabinete de Edinho na prefeitura. Apesar de ser o adversário que mais “bate”, a população parece não perdoar aquilo que entende como “traição”. 

Se fora de Araraquara Edinho ainda deve enfrentar desafios e dificuldades, na cidade ele continua praticamente intocável. Talvez ele esteja dando aquele passo para trás que, a médio ou longo prazo, pode até se transformar em “dois para frente”.

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