Seis minutos de conversa

Bastidores: Bruno Boghossian

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h09

Dilma Rousseff e Eduardo Campos chegaram no mesmo carro ao Parque de Exposições de Serra Talhada para subir ao palanque - algo que, na eleição de 2014, poderá não mais acontecer. Ficaram juntos por seis minutos no banco traseiro de um caminhonete branca antes de desembarcarem, sorrindo para os flashes dos fotógrafos.

Não há dúvidas de que a presidente tratou o governador como aliado: ao voltar a Pernambuco pela primeira vez em 13 meses, elogiou o trabalho social conduzido pela mulher do aliado, lembrou de seu avô Miguel Arraes, aplaudiu seu discurso e anunciou investimentos bilionários.

Petistas locais dizem que Dilma não pretende "alimentar o clima de disputa artificial" provocado pelas investidas de Campos na tentativa de se viabilizar para 2014. Interpretam o discurso da presidente como um gesto para "amarrar" o governador, que comanda nacionalmente o PSB. O clima entre os dois, entretanto, poderia ter sido mais afável. Presidente e governador se sentaram lado a lado, como cabe em um evento oficial, mas foram comedidos nas conversas ao pé do ouvido - ritual que Dilma costuma praticar frequentemente com outros aliados.

Em Pernambuco, quem comprou a disputa antecipada foram os correligionários de Campos no PSB. Petistas reclamam que os prefeitos do interior procuraram rádios locais na manhã de ontem para elogiar a administração de Campos e destacar ações exclusivas do governo estadual. Dilma foi defendida pelo prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT) - um dos poucos políticos que derrotaram aliados do governador pernambucano na última eleição municipal. Ele abriu o discurso lembrando que 96% da população do município votou na petista no 2.º turno da eleição de 2010.

Campos teve uma conversa mais demorada com Dilma há cerca de 25 dias, quando diz ter deixado claro que o PSB manteria o apoio a seu governo e só decidiria sobre candidaturas em 2014. Se o assunto veio à tona ontem, nos seis minutos no banco traseiro da caminhonete, nenhum dos dois deixou claro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.