Segurança de campanha de Dilma vai cuidar da Copa

Delegado da Polícia Federal vai comandar Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos

Fábio Fabrini - O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h06

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff escolheu o delegado da Polícia Federal Andrei Augusto Passos Rodrigues, responsável por protegê-la na campanha eleitoral de 2010, para chefiar a Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos (Sesge), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.

 

Nomeado ontem por portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), o policial substituirá o também delegado Valdinho Jacinto Caetano, que, como antecipou o Estado, renunciou ao comando da Sesge após uma crise com o Ministério da Defesa. Ele pediu demissão ao ministro José Eduardo Cardozo em abril, mas comprometeu-se a ficar no cargo até o fim da Jornada Mundial da Juventude, evento realizado no mês passado. A jornada reuniu milhares jovens católicos no Rio de Janeiro e contou com a presença do papa Francisco, em sua primeira viagem internacional.

 

A Polícia Federal divide com a área militar as políticas de segurança de megaeventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

 

Dilma estaria privilegiando os comandos da Marinha, da Aeronáutica e do Exército na distribuição de verbas e atribuições, o que atiçou a insatisfação dos policiais. Uma das fontes de atrito seria o combate ao terrorismo, por exemplo, posto sob a responsabilidade da Defesa, que não tem a prerrogativa de investigar crimes.

 

Atrito. O estopim para o pedido de demissão de Caetano foi, conforme fontes do Ministério da Justiça, uma ríspida discussão com o chefe do Estado Maior do Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, em reunião com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em abril. Caetano teria se irritado com a postura da ministra, supostamente inclinada a defender os pontos de vista do general, e avisado sobre sua saída.

 

Procurado ontem, o delegado negou atrito com os militares. "Isso são especulações", afirmou. "Foi por questões pessoais. Vou voltar para a PF", acrescentou, procurando minimizar o desgaste com o general De Nardi: "Nós tivemos diferenças de opinião técnicas, o que é natural, porque as formações são diferentes".

 

Caetano se declarou satisfeito com os resultados obtidos na Sesge, principalmente na integração dos órgãos de segurança pública. "Se (o governo) não tomar cuidado, isso pode se perder", alertou.

 

O delegado Andrei trabalhava desde 2011 como oficial de ligação em Madri, mas já chegou ao Brasil e deve tomar posse nos próximos dias. O Ministério da Justiça, no entanto, não soube precisar a data.

 

Antecedentes. O governo chegou a cogitar até mesmo um nome da Defesa para o cargo, mas acabou prevalecendo o nome do delegado, cuja relação com a presidente se estreitou após a campanha de 2010.

 

Caetano é a segunda baixa na Sesge este ano. Em março, o número dois da secretaria, o delegado Luiz Carlos de Carvalho Cruz, então diretor de Operações, foi exonerado após o Estado revelar, em março deste ano, que dezenas de autoridades federais receberam dele um e-mail propondo adesão ao chamado golpe da pirâmide, tido como um tipo de estelionato. Carvalho Cruz negou o envio da mensagem e se declarou vítima do esquema. O ministro Cardozo, porém, considerado a permanência dele no cargo insustentável.

 

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