Secretário diz que não dá para romper acordos

Em uma sabatina tensa ontem na Assembléia de São Paulo, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse aos deputados que o governo só pode "defenestrar" as empresas envolvidas no caso Siemens depois que o processo for transitado em julgado. A multinacional alemã, que ainda mantém quatro contratos com o governo Geraldo Alckmin (PSDB), delatou o esquema de cartel ao Cade. A empresa também é investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal por suspeitas de pagar propina a agentes públicos. "O rompimento (dos contratos) agora poderia dar um prejuízo imenso ao erário", afirmou.

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h02

Depois de classificar a prática de cartel como uma "excrescência", o secretário usou um exemplo inusitado para ilustrar a prática. "Os senhores imaginem se o Bill Gates e o Steve Jobs fizessem um cartel? Nós estaríamos com um tijolo na mão e não com os smartphones. Não haveria porque eles disputarem nada". Pressionado por deputados do PT, Fernandes classificou como "inconveniente" as declarações do presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, que foi sabatinado na Casa no começo do mês. Na ocasião, ele afirmou que não teve acesso, nem "curiosidade" de ler os documentos do Cade. "A resposta não foi adequada. Foi inconveniente e ele se desculpou". A visita do secretário de Alckmin foi marcada por discussões ásperas entre os deputados do PT e do PSDB. Os petistas criticaram a Comissão Externa criada por Alckmin e formada por entidades da sociedade civil para acompanhar as investigações. O deputado Antonio Mentor classificou como a iniciativa como "pirotecnia" e cobrou a divulgação dos documentos e atas das reuniões na internet. Reportagem divulgada segunda-feira pelo Estado revelou que integrantes as comissão estava insatisfeitos com a demora do governo em divulgar os dados. "Nós passamos todas as informações para a Corregedoria. Sei que as atas das reuniões foram publicadas hoje".

Segundo Jurandir, a demora se deu pois as atas estavam com texto "muito discursivo" e precisaram ser reescritos. Os petistas também questionaram o secretário sobre reuniões oficiais com representantes de empresas suspeitas do cartel. Ele disse que os encontros integravam uma rotina de trabalho da pasta.

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