Secretário diz que desconhece articulação por partido, mas vai investigar

Após questionamento do 'Estado', titular da pasta de Emprego e Relações do Trabalho determina apuração do caso; Paulinho nega estar por trás de novo partido

Julia Dualibi e Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2013 | 02h10

A Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que o secretário Carlos Ortiz, também filiado ao PDT, determinou a abertura de apuração para avaliar a conduta de servidores envolvidos na distribuição das fichas de apoio à criação do Partido Solidariedade, dentro do órgão e no horário do expediente.

Três servidores estão ajudando a coletar as assinaturas, todos filiados ao PDT. O Estado obteve cerca de 300 fichas de criação do Solidariedade na Coordenadoria de Políticas de Inserção ao Mercado de Trabalho da pasta. "A Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho não faz distribuição de fichas de filiação, sejam elas partidárias, sindicais ou de qualquer outra natureza", informou em nota a secretaria.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o secretário Carlos Ortiz "não autorizou e desconhece qualquer distribuição no âmbito da pasta e jamais recebeu informação, relato ou reclamação de funcionários neste sentido".

Ortiz, também sindicalista, foi indicado para o cargo pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, que, em conflito com o PDT, começou a articular o Solidariedade. Os servidores que ajudam na coleta das assinaturas foram nomeados para os cargos pelo próprio secretário - não são funcionários de carreira.

"Diante do que foi relatado pelo jornal, o secretário determinou a abertura de apuração para avaliação da conduta dos funcionários mencionados. Além disso, enviou e-mail a todos os coordenadores para que seja coibida qualquer iniciativa nesse sentido", afirmou ainda a assessoria de imprensa da secretaria.

O deputado Paulo Pereira da Silva negou, mais uma vez, que estivesse por trás da criação do Solidariedade. "Todo mundo me pergunta sobre esse assunto, mas eu não estou tocando isso, não. Não estou acompanhando", declarou. Questionado sobre o envolvimento de funcionários do PDT, disse: "Não tenho informação sobre isso. Pode ser que tenha alguém que está na secretaria, que tenha algum funcionário... Mas o Ortiz, essas coisas não têm nada a ver, porque o Ortiz não está nisso e nem eu estou".

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