Secretário de Alckmin rebate Cardozo e nega 'politização' da violência

Fernando Grella, titular da Segurança, nega que governador tenha 'politizado' o debate sobre o assunto, como afirmou o ministro da Justiça ao 'Estado'

Roldão Arruda - O Estado de S.Paulo

10 Junho 2013 | 02h02

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Silveira, rebateu ontem as declarações feitas ao Estado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, de que o governador Geraldo Alckmin politiza a questão da segurança. O ministro se referia à insistência do governador em mencionar a falta de controle do governo federal sobre as fronteiras nas vezes em que procura explicar os problemas da violência em São Paulo.

"Respeito muito o ministro, mas há um equívoco no que ele falou. Não há nenhuma politização", rebateu Grella. "A realidade é que temos problemas com drogas no Brasil, que virou o paraíso do crack. E nós sabemos que a cocaína, da qual o crack é um subproduto, não é feita aqui no Brasil."

O equívoco do ministro, segundo o secretário, também reside no fato de não ter mencionado ações conjuntas que são desenvolvidas entre o Estado e o governo federal. "Temos a Agência de Atuação Integrada, cuja sede física fica na Secretaria de Segurança. Dessa agência participam a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias civil e militar e o Ministério Público."

Latrocínios. Sobre a piora em alguns índices de violência, especialmente o de latrocínio, que registrou em abril, na capital, um aumento de 56% em relação ao mesmo mês do ano passado, o secretário disse: "É inegável que há uma relação de muitos crimes violentos com drogas. Temos visto latrocínios cometidos por pessoas que são consumidores de drogas. É evidente que são muitos os fatores que explicam a violência e a droga, embora não seja o único, é um deles."

Indagado sobre as relações entre as drogas e os arrastões que se verificam na cidade, Grella afirmou: "Não é só isso, mas tem relação".

Ele também rebateu as afirmações do ministro de que o governo estadual não enfrenta a questão da violência provocada a partir dos presídios. Segundo Cardozo, é preciso "coragem política" para se fazer isso.

"Ele está equivocado mais uma vez", disse Grella. "A Segurança está atenta a estes aspectos e atua em várias frentes". Ele mencionou que o governo estadual está se preparando para instalar bloqueadores de celulares nos presídios, entre outras ações.

Na entrevista ao Estado, Cardozo atribuiu as críticas ao Planalto a interesses eleitorais. "Querer atribuir a subida da violência em São Paulo a algo que está melhorando é querer se isentar de um problema sobre o qual poderíamos pensar em conjunto, sem politizar", afirmou.

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