Se vencer, PPS sai fortalecido ao deixar de fora PSDB e PT

Luciano Rezende enfrenta o tucano Luiz Paulo com vantagem de 14 pontos nos votos válidos nas pesquisas de intenção de voto

FÁBIO GRELLET / RIO , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h04

Em meio a intensa troca de acusações, os ex-aliados Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), engenheiro de 55 anos, e Luciano Rezende (PPS), médico de 50 anos, disputam hoje o 2.º turno da eleição para a prefeitura de Vitória. Prefeito por duas gestões (entre 1997 e 2004) e favorito no início da campanha, o veterano Luiz Paulo foi desbancado por Rezende no 1.º turno (recebeu 36,69% dos votos, ante 39,14% do adversário) e viu o socialista abrir uma vantagem esmagadora nas primeiras pesquisas do 2.º turno - o Instituto Futura chegou a registrar 20 pontos porcentuais de vantagem para Rezende.

Ontem, no entanto, a diferença caiu para 14 pontos, segundo pesquisa Ibope, aumentando a expectativa de uma disputa acirrada na votação de hoje.

Fim do ciclo. Se derrotar o ex-prefeito, de quem foi secretário de Saúde, Rezende interromperá uma sequência de 24 anos de gestões alternadas do PT e do PSDB, iniciada com o petista Victor Buaiz em 1989. Nesta eleição, a candidata do PT era Iriny Lopes, ex-ministra da Secretaria de Políticas das Mulheres. Apoiada pelo atual prefeito, o também petista João Coser, ela recebeu apenas 18,42% dos votos e acabou ficando de fora do 2.º turno.

Independentemente do resultado, a harmonia entre algumas das principais forças políticas capixabas sairá arranhada da disputa: o atual governador, Renato Casagrande (PSB), foi eleito com o apoio do anterior, Paulo Hartung (PMDB), mas turbinou a campanha de Rezende contra Luiz Paulo, candidato de Hartung, negociando a adesão de dois partidos (PP e PR).

A troca de acusações expressas ou veladas entre candidatos foi intensa desde o 1.º turno. Luiz Paulo, acusado de ser alcoólatra e usuário de drogas, começou a campanha do 2.º turno levando seus três filhos à TV para negar as acusações. Ele afirma que, quando começou a se defender, passou a se recuperar nas pesquisas.

'Virada'. "Está em curso uma virada. A população de Vitória refletiu sobre o que está em jogo. O 1.º turno foi uma campanha confusa, marcada por acusações, calúnias e difamações nos bastidores. Foi uma campanha de submundo, indigna", afirmou Luiz Paulo.

"Conseguimos tirar 15 pontos de diferença em menos de duas semanas, com a reação da cidade, uma comoção contra a campanha difamatória e pela mobilização de todos os setores por um voto mais consciente. Estou confiante", acrescentou o candidato tucano.

Confronto. Durante debate na TV realizado na segunda-feira, o clima entre o ex-prefeito e seu ex-secretário foi de confronto. Quando Rezende afirmou que Luiz Paulo havia procurado o apoio do senador Magno Malta (PR-ES), o tucano negou e retrucou: "O senador (Malta) talvez não seja o dono da sua candidatura, mas é um sócio importante, e o senhor escondeu essa parceria".

Rezende garantiu ter provas de que Luiz Paulo pediu apoio a Malta, e então o tucano rebateu: "Sua cara de pau é extraordinária. Ele (Rezende) não era assim quando lhe dei a oportunidade de ser meu secretário. Ele persegue de forma obstinada o cargo de prefeito".

Embora conte com o apoio de Malta, Rezende diz não ter nenhum compromisso político com o senador. / COLABOROU ANTONIO PITA

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