'Se soubesse da candidatura de Eduardo não iria para o PSB'

Ex-ministro de Lula diz que pediu para sair da presidência do partido em Minas porque vai apoiar Dilma Rousseff em 2014

Entrevista com

Vera Rosa / Brasília, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h12

O ex-ministro das Relações Institucionais Walfrido Mares Guia deixou na semana passada a presidência do PSB em Minas por não apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao Palácio do Planalto, mas nega ter sido destituído. Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Walfrido disse que pediu para sair do comando do PSB mineiro porque vai trabalhar na campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. "Eu não fico com um pé em cada patinete", afirmou. "Se eu soubesse que Eduardo seria candidato, nem teria entrado no PSB. Na política, você tem de ter lado."

O sr. foi destituído da presidência do PSB de Minas por não apoiar a candidatura de Eduardo Campos ao Palácio do Planalto?

Walfrido Mares Guia - Não tem nada disso. Eu já tinha procurado o Eduardo Campos, em maio. Disse a ele: "Lamento, mas entrei no PSB, em setembro de 2009, porque era um partido alinhado ao presidente Lula. Se não fosse assim, nunca teria entrado". Eu só assumi o comando do PSB em Minas, em 2011, porque o Márcio Lacerda (prefeito de Belo Horizonte) não quis ficar na presidência e me indicou.

Mas o sr. não sabia que ele queria ser candidato à Presidência?

Walfrido Mares Guia - Eduardo é meu amigo pessoal. Fomos colegas de ministério, quando Lula era presidente, e sempre nos demos muito bem. Essa candidatura foi uma surpresa para mim. Se eu soubesse, não teria ido para o PSB. Tenho compromisso com Lula e com a presidente Dilma.

Então o sr. vai sair do PSB?

Walfrido Mares Guia - Não tenho por que pular de um partido para outro. Quando procurei Eduardo, há dois meses, falei que não podia continuar na presidência porque era uma situação difícil para mim. Pedi que fizesse minha substituição. Fui à reunião da executiva, e agora Carlos Siqueira (secretário nacional do PSB) me comunicou que Júlio Delgado, que era vice-presidente, assumiria. Estou mais livre, menos constrangido. O sr. não se sentiu pressionado a sair da presidência em Minas?

Walfrido Mares Guia - De forma alguma. Não teve nenhum estresse. Como poderia ficar no comando do PSB de Minas se não posso defender a candidatura do presidente nacional do PSB? Eduardo me recebeu muito bem em um jantar no Recife. Conversamos durante quatro horas. Tomei a iniciativa de pedir para sair e ele entendeu. Eu não fico com um pé em cada patinete. Na política você tem de ter lado.

Quem será o candidato do PSB em Minas? Há uma articulação com Aécio Neves?

Walfrido Mares Guia - Vi essa história, mas não sei.

Sem palanque, Campos tem como sustentar a candidatura?

Walfrido Mares Guia - Não posso dar palpite. Cada um sabe o que faz. Eduardo é preparado, qualificado e sério. Mas vou trabalhar pela Dilma.

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