'Se sair aliança com o PMDB, Chalita não será o vice'

Para petista, deputado não aceitará vaga se partido integrar chapa com Haddad; ele faz ainda críticas ao ministro Lupi

Entrevista com

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h08

Sem medo de contrariar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão, não acredita que o vice ideal para Fernando Haddad, ministro da Educação e candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, seja o deputado Gabriel Chalita (PMDB) e muito menos um empresário. "Se houver uma aliança com o PMDB, o Chalita não será vice. Ele mesmo já disse que não se candidatou para ser vice", afirmou.

Na véspera das duas últimas reuniões do ano da cúpula petista - marcadas para hoje e amanhã, em Belo Horizonte -, Falcão conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a reforma ministerial, prevista para o fim de janeiro de 2012. Pré-candidato do PMDB à sucessão de Gilberto Kassab (PSD), Chalita é o vice dos sonhos de Lula, que promete procurá-lo em breve. Nem Falcão nem Dilma, no entanto, acreditam que o deputado aceitará a oferta.

Para o presidente do PT, que foi candidato a vice quando Marta Suplicy disputou a reeleição, em 2004, "vice é complemento de aliança, mas não traz votos". Na prática, o PT ainda procura um nome para fazer dobradinha com Haddad.

Falcão disse que, se vencer a eleição, o ministro se credencia como "candidato "natural" ao governo paulista em 2014. Lula, porém, já manifestou preferência pela candidatura do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

Primeiro secretário da Assembleia Legislativa, Falcão também acusou o PDT e a Força Sindical de montarem uma política de "proliferação de cartas sindicais" e "aparelhamento" no Ministério do Trabalho, comandado por Carlos Lupi.

A presidente não vai liberar o ministro Fernando Haddad antes da reforma ministerial. Isso atrapalhará a campanha?

O que dissemos é que era importante ele começar a se aplicar desde já na campanha, para se popularizar. Isso ele está fazendo nos finais de semana. Não acredito que sair na época da reforma traga grandes prejuízos. Entrando lá para fevereiro está de bom tamanho.

Quem vai para o lugar de Haddad? O PT vai continuar no comando da Educação?

Acho importante o PT continuar na Educação pelo tipo de política que vem desenvolvendo. Não tenho por hábito ficar sugerindo nomes, a não ser que seja consultado pela presidenta.

E o sr. não foi?

Ainda não.

O ex-presidente Lula quer que o deputado Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB, desista para ser vice do PT. Chalita não tem o mesmo perfil de Haddad?

Se houver aliança com o PMDB, o Chalita não será vice. Ele mesmo já disse que não se candidatou para ser vice. Então ou ele é candidato a prefeito ou uma aliança com o PMDB vai implicar a indicação de outro nome.

E quem seria? Paulo Skaf? Não somos nós que vamos sugerir nomes.

Qual é o perfil ideal para vice de Haddad? Um nome popular ou um empresário?

O vice é um complemento de uma aliança. Mas não é o vice que traz votos. Interessa mais a composição partidária, o tempo de TV, a simbologia de você estar com mais gente na campanha e no governo. Pegue o caso do Lula em 2002. A chapa com José Alencar foi a simbologia da abertura para um setor da economia. Não me parece apropriado achar que o vice ideal para o Haddad seria um empresário. O ideal é uma chapa que expresse amplitude para todos os setores sociais.

Com o tratamento de Lula para combater um câncer, quando ele poderá entrar na campanha?

Ele me disse que no ano que vem fará no máximo uma palestra por mês. O resto do tempo vai fazer campanha para o PT.

Ao usar o discurso da cara nova, Lula não se prepara também para lançar o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, candidato do PT ao governo de São Paulo?

Primeiro, Marinho está disputando a reeleição em São Bernardo. É o favorito na cidade, mas tem muito chão até lá. É um dos nomes que tem condição, mas temos também Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, o Emídio (de Souza, prefeito de Osasco). E por que não dizer o próprio Fernando, não é? Se ganhar a eleição em São Paulo, ele passa a ser o candidato natural.

Ganharia e renunciaria?

Não é que ele esteja se apresentando como tal. Eu estou dizendo como pessoa de expressão. Alguém já fez isso antes, não é? (referência ao ex-prefeito José Serra, do PSDB, que renunciou ao cargo, em 2006, para concorrer ao governo paulista).

Há um fato curioso na sucessão paulista: o PT, que criou as prévias, a sepultou, enquanto o PSDB marcou a consulta interna para março de 2012.

Nós continuamos defendendo as prévias. Aliás, tivemos duas no fim de semana, uma em Piracicaba e outra em Sorocaba. Quem não faz prévia é o PSDB. Esse adiamento das prévias do PSDB abre caminho para reflexão. Quando Serra disse que o PSDB não tem candidatos viáveis eleitoralmente, pode ser que ele se coloque como viável.

O sr. não teme que o julgamento dos réus do mensalão, previsto para 2012, atrapalhe o PT nas eleições municipais?

Se o julgamento for feito com base nos autos - e eu acredito que o Supremo assim o fará -, não haverá condenações, porque não houve mensalão. Não há provas e as acusações não se sustentam. Não creio que isso possa trazer prejuízo para nós, inclusive porque não acredito que o julgamento se dê em 2012. Acho que ficará para 2013.

Carlos Lupi (PDT) tem condições de continuar à frente do Ministério do Trabalho?

Minha preocupação não é se ele continua ou sai. É, sim, com a chamada política de porteira fechada. Acho que não deveria nem haver representação de centrais sindicais nas delegacias do Trabalho.

O PDT alega que isso é uma briga do PT e da CUT contra a Força Sindical.

Não estou reivindicando cargo para ninguém nem do PT nem da CUT. Apenas constato uma realidade. Existe um aparelhamento e não deveria haver isso em nenhum ministério. A concessão de cartas sindicais também é feita sem muito critério. Além disso, o imposto sindical mantém artificialmente a vida dos sindicatos e deveria acabar.

O aparelhamento só existe no Ministério do Trabalho?

Que eu tomei conhecimento só.

O ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), também está envolvido em denúncias.

O PT, que já comanda 17 pastas, vai reivindicar Cidades e Trabalho?

Não acho que o PT esteja pouco contemplado nos ministérios. O fundamental são as políticas públicas que estamos desenvolvendo. É isso o que conta, e não o número de ministérios. Talvez haja mudanças. Fala-se na criação de um ministério da Infraestrutura.

E a fusão das secretarias de Mulheres e de Igualdade Racial na pasta de Direitos Humanos?

Não vejo razão para extinguir essas pastas. Seria desvalorizar a participação das mulheres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.