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'Se PT insistir no plebiscito, vamos gritar Fora Dilma', afirma Paulinho

Presidente da Força critica plano dos petistas de usar mobilização de quinta para defender bandeira de Dilma

Vera Rosa e Débora Bergamaso, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h05

Depois de enfrentar a resistência da própria base aliada para convocar o plebiscito sobre reforma política, o governo tenta agora apaziguar mais uma disputa. Irritado com o PT, que promete fazer campanha pela consulta popular durante o Dia Nacional de Lutas, na próxima quinta-feira, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, partiu para o ataque e chamou a estratégia de “malandragem”.

“Se o PT insistir em ‘enxertar’ essa história de plebiscito na manifestação de quinta-feira, a Força Sindical levantará a bandeira do ‘Fora Dilma’ ”, disse Paulinho, como é conhecido o deputado. “Nossa manifestação é pela redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, reajuste para os aposentados e mais investimentos em saúde e educação.”

A Executiva Nacional do PT aprovou, na última quinta-feira, uma resolução na qual convoca seus militantes a assumirem “decididamente” as manifestações no Dia Nacional de Luta, com greves e atos em defesa das reivindicações trabalhistas e da reforma política. A ideia é fazer ali a propaganda do plebiscito.

"Não podemos permitir que o PT utilize a Força Sindical e outras centrais sindicais como correia de transmissão do que pensa o partido”, insistiu Paulinho, que vive em rota de colisão com a presidente Dilma Rousseff e pretende criar um partido para a disputa de 2014. “O que Rui Falcão está tentando fazer é uma apropriação indébita da agenda dos trabalhadores. Vamos deixar bem claro: o plebiscito não está na pauta do ato das centrais sindicais, no dia 11”, emendou, numa referência ao presidente do PT.

Procurado, Falcão não quis comentar o assunto. Além de cartazes com “Fora Dilma”, o presidente da Força Sindical disse que não se surpreenderá com faixas pedindo “Volta Lula". Embora o PT tenha baixado ordem para abafar esse coro, há no partido quem continue pregando a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano que vem, em substituição a Dilma.

“Lula não quer voltar, mas, se precisar, volta”, afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos que defendem o retorno do ex-presidente. Devanir foi o deputado que apresentou a proposta de terceiro mandato para Lula, rejeitada por ele.

Na semana passada, Falcão disse que a CUT e as outras cinco centrais sindicais estavam unidas na organização do Dia Nacional de Luta. Afirmou, ainda, que o PT, o PDT e o PC do B programaram uma reunião para sexta-feira com as centrais, a CNBB, a OAB, a UNE e o MST, com o objetivo de debater pontos da reforma política e tributária.

“Eu acho que o Paulinho está sendo oportunista”, reagiu o deputado André Vargas (PT-PR). “É claro que a mudança nas regras de financiamento eleitoral vai servir para democratizar a participação de trabalhadores na política.”

Para Vargas, o presidente da Força Sindical foi “contaminado” pelas recentes manifestações, que rejeitaram a participação de partidos em passeatas. “Essa postura é até compreensível para um adolescente, mas não para alguém que pretende presidir um partido”, provocou o petista.

Dilma enviou ao Congresso proposta de cinco pontos que devem ser submetidos à consulta popular para a reforma política. Na lista estão o financiamento de campanha (público, privado ou misto), a definição do sistema de votação, o fim das coligações proporcionais e do voto secreto no Parlamento, além da manutenção ou não dos suplentes no Senado. Até agora, porém, há muitos "senões"  criados pelo Congresso para convocar o plebiscito ainda este ano.

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