Se perder a eleição, serei oposição, diz Aécio

Candidato do PSDB rechaçou hipótese de participar de um eventual governo de Marina Silva, que vem sinalizando que governaria com "os melhores" de cada partido

MARIANA SALLOWICZ, LUCIANA NUNES LEAL E ELIZABETH LOPES, Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 12h56

Rio - O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, ao criticar o discurso de Marina Silva (PSB) de que vai governar com os melhores quadros de todos os partidos, não cogitou a hipótese de o PSDB ceder nomes para um possível governo da ex-ministra.

"Ou vencemos as eleições e seremos governo, ou perdemos as eleições e seremos oposição", afirmou o candidato em entrevista a jornalistas depois de participar de sabatina do jornal O Globo. O tucano reiterou a "preocupação" com um possível governo de Marina que dê prioridade a pessoas, sem levar em conta a relação institucional entre os partidos.

Durante a sabatina, Aécio criticou também o discurso de Marina Silva, de rejeição ao que chama de velha política e promessa de que vai governar com "os melhores nomes" (como diz Marina) de vários partidos. "A nova política será a que governa com o terceiro time do PSDB e do PT?", questionou. Aécio continuou: "Se você nega os partidos e diz que vai governar com pessoas, não sei onde vai dar".

A ex-ministra vem sinalizando que, caso eleita, não teria problemas de se aproximar de nomes como José Serra, correligionário de Aécio, e o petista Eduardo Suplicy, em seu governo.

O tucano disse ainda que após a morte de Eduardo Campos (PSB) deu-se o início do que chamou de "uma segunda eleição". Para ele, o cenário atual ainda está "sob efeito de uma grande embaralhada das cartas".

Reeleição. Sobre a reeleição, disse que foi um mal para o Brasil. "Fui reeleito, é uma covardia, é desigual. Ele criticou a estrutura montada pela presidente, quando viaja em campanha. "A presidente desmoralizou a reeleição."

Lembrado de que a reeleição foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso, disse que foi uma "experiência que o Brasil buscou". O candidato voltou a defender o fim da reeleição com mandato de cinco anos para os governantes.

Economia. Aécio voltou a afirmar que o quadro econômico que se espera no Brasil "é muito preocupante" em 2015. Ele criticou ainda o cenário atual, com "inflação batendo o teto da meta e um quadro recessivo na economia".

"Não teremos uma recuperação da economia mundial muito grande, que poderia ser a salvação. Temos que olhar para dentro. A condução transparente da política econômica vai ajudar o País a voltar a crescer", afirmou durante a sabatina. Aécio defendeu uma política econômica de longo prazo, com previsibilidade. "A nossa eleição vai sinalizar a baixa dos juros em longo prazo e o resgate dos investimentos".

O candidato afirmou ainda que a Petrobrás tem sido usada pelo governo atual como "instrumento da política econômica". A respeito das recentes denúncias, disse que "está na hora de termos um governo que assuma as suas responsabilidades".
 
Ainda sobre a companhia disse que, caso eleito, irá "tirar a Petrobrás da política", acrescentando que o pré-sal "é um tesouro que nós temos".

"Vou tirar a Petrobrás da política, (a companhia) vai ser ocupada por quadros qualificados", afirmou. Aécio afirmou ainda que o Brasil perdeu tempo enorme, do período de transição dos modelos de concessão, ressaltando que "o que está hoje produzindo no pré-sal começou a ser produzido no governo FHC".

Questionado sobre quais medidas amargas poderiam ser tomadas pelo seu governo para retomada da economia, respondeu que o governo atual "já fez todas". "Foram tomadas por esse governo que fez (a economia) desandar. O meu governo será da previsibilidade." Entre as primeiras ações do seu governo nessa área, citou a "simplificação do sistema tributário".

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