Valeria Gonçalves/Estadão
Valeria Gonçalves/Estadão

‘Se for reeleito, só volto a ser candidato em 2026’, diz Covas

Durante a sabatina do ‘Estadão’, prefeito diz que não seguiria caminho trilhado por outros tucanos na Prefeitura; tema da responsabilidade fiscal marcou entrevista

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2020 | 14h27
Atualizado 19 de novembro de 2020 | 22h07

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas, se comprometeu nesta quinta-feira, 19, durante sabatina do Estadão, a terminar o mandato caso seja reeleito. Os dois últimos prefeitos do seu partido, José Serra e João Doria, deixaram a Prefeitura, em 2006 e 2016, respectivamente, para concorrer ao governo do Estado. 

“Se eu for reeleito, só volto a ser candidato em 2026”, disse Covas, após ser questionado sobre especulações em torno de seu nome para o Palácio dos Bandeirantes, caso Doria concorra mesmo à Presidência. “Não há a menor perspectiva de candidatura em 2022, já deixei bem claro isso ao partido. Já está todo mundo consciente em relação a esse tema.”

Questionado por não ter uma “marca” para sua gestão, como uma obra grandiosa, por exemplo, Covas disse que sua administração tem “responsabilidade fiscal”. “Quem tem marca é cerveja”, disse. “Político precisa ter responsabilidade. Nossa gestão foi marcada pela responsabilidade fiscal e boa gestão do recurso público”, afirmou.

O tucano não soube responder qual é o custo do seu plano de governo. “Mantendo esse valor de investimento de R$ 4,5 bilhões, a perspectiva é realizar esse plano de governo, que foi elaborado pensando em orçamento mantendo o nível de investimento. Não tenho os valores totais, globais, mas depois posso mandar para vocês”, afirmou Covas na sabatina.

A reportagem entrou em contato com a campanha de Covas que, até a conclusão desta edição, não havia informado o custo do plano de governo. 

Tarifa de ônibus

Sobre a possibilidade de aumento na tarifa do ônibus municipal, Covas disse que isso ainda está indefinido e depende de negociação com o governo do Estado – historicamente, as passagens de ônibus, metrô e trem têm o mesmo valor. “Essa é uma discussão que ainda vai ser feita em parceria com o governo do Estado”, disse. A definição deve ocorrer em dezembro. Na quarta-feira, 18, Guilherme Boulos (PSOL) havia dito, também na sabatina do Estadão, que não pretende aumentar a tarifa do ônibus caso seja eleito. 

Iptu

Embora não tenha se comprometido com a tarifa de ônibus, o prefeito afirmou nesta quinta-feira, 19,  que não haverá aumento do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU). “A gente já conseguiu ajustar as contas para não ter aumento de IPTU nem mesmo pela revisão da inflação que foi feita ao longo dos últimos anos.” Covas também foi perguntado sobre a viabilidade da proposta de Guilherme Boulos para o IPTU, que visa a aumentar as faixas de isenção e aumentar a arrecadação dos imóveis mais caros. O prefeito afirmou que o imposto já é progressivo na cidade e cerca de 50% da população é isenta ou paga menos. 

Dívida ativa

Covas afirmou que a Prefeitura conseguiu recuperar R$ 6,2 bilhões na dívida ativa desde 2016. “Mesmo com as dificuldades, ampliamos em 25% a recuperação da dívida ativa na cidade. Chegamos a R$ 6,2 bilhões em quatro anos”, disse. 

Moradia

Covas disse que pretende reservar R$ 900 mil no orçamento do ano que vem para tratar de reurbanização de favelas. O tucano também foi questionado sobre a diferença entre o número de casas que afirma ter construído em sua propaganda (25 mil) e o que a Prefeitura diz ter entregue (13 mil). Covas respondeu que parte das novas unidades habitacionais foi feita pela iniciativa privada, via incentivos concedidos pela administração municipal. “Zeramos IPTU e ITBI para faixa 1 (mais pobres), então viabilizamos a construção dessas unidades para atender quem mais precisa de unidade habitacional. (Essas casas) só foram construídas pela iniciativa privada porque isso foi viabilizado pela Prefeitura.”

Dinheiro em Caixa

Durante a sabatina, Covas foi questionado sobre um valor de aproximadamente R$ 8 bilhões em caixa que poderiam ser aplicados em investimento pela Prefeitura. Ele disse que a alternativa não é válida e seria equiparável a entrar no “cheque especial”. “É como tomar empréstimo do banco. Teria que devolver depois. Não há milagre, dinheiro que caia do céu do ponto de vista de gestão de recurso público.”

Base de apio

Apoiado pela maior parte dos partidos do Centrão, como Solidariedade, Republicanos e PL, Covas disse que ainda não discutiu a distribuição de cargos com sua base aliada. Ele afirmou que o apoio recebido não será necessariamente compensado com secretarias municipais ou subprefeituras. “Eu não loteei um futuro governo nem com os partidos que me apoiaram no primeiro turno, muito menos agora com os partidos que me apoiaram no segundo turno”, disse o candidato. 

Antipetismo

Sobre a onda antipetista, Covas afirmou que não faria esse tipo de abordagem. “O importante é cada um seguir a sua linha, a coerência. A população não aceita que seja de uma forma na eleição, e de outra na próxima”, afirmou o prefeito.

Covid-19 e segunda onda

No dia em que anunciou que escolas públicas e particulares da capital paulista não vão receber novas atividades presenciais para manter a política de prevenção ao contágio de covid-19, Covas afirmou, na sabatina do Estadão, que não há nenhum indicativo de que haverá uma segunda onda da doença em São Paulo.

“Apesar do aumento de internações, a cidade mantém estabilização de número de óbitos e de número de casos, o que permite dizer que não há necessidade de retroceder nem ampliar a flexibilização (atual)”, afirmou Covas. Na semana passada, a média diária de novas internações nas redes públicas e privadas foi 18% maior do que na semana anterior, de acordo com informações da Prefeitura. 

Segundo o prefeito, as internações subiram porque houve aumento de casos de infecção por covid nas classes A e B e de pessoas fora da capital paulista. Ao mesmo tempo, segundo o prefeito, os leitos emergenciais disponibilizados exclusivamente para a doença caíram de 31 para cada grupo de 100 mil habitantes para 19,5 por 100 mil.

“Em relação aos números da cidade de São Paulo, não há nenhuma indicação de segunda onda na cidade”, afirmou Covas. Questionado sobre o momento em que as medidas de flexibilização foram adotadas e sobre a possibilidade de que isso interfira no calendário eleitoral, Covas disse que não fez nenhuma solicitação nesse sentido. Segundo ele, todas as decisões são tomadas com base em critérios médicos e científicos. 

“Enquanto eu for prefeito, não vou fazer (uma medida relacionada à covid-19) porque acho que tem que ser assim ou assado. Vou seguir recomendações da Vigilância Sanitária, que analisa vários dados”, afirmou o prefeito Covas. 

Durante a sabatina, o tucano, que tenta a reeleição numa disputa contra Guilherme Boulos (PSOL) defendeu as decisões tomadas até agora por seu governo. Ao citar o momento em que países europeus começaram a discutir a abertura de comércios, por exemplo, afirmou que a capital paulista seguiu critérios mais rígidos. 

“A cidade de São Paulo começou a flexibilização (da quarentena) quando tinha 10% da população imunizada. França e Espanha, por exemplo, começaram a flexibilização com essa taxa em 4%, 5%.” Com população de 67,2 milhões de pessoas, a França registrava, até ontem, pouco mais de 2 milhões de casos e 47.127 mortes. Já a Espanha, que tem 47 milhões de moradores, registrava 1,5 milhão de casos e 42 mil mortes. De acordo com a própria Prefeitura, São Paulo totalizava, até anteontem, 387.228 casos confirmados de covid-19, dos quais 14.066 resultaram em óbito.

Covas foi questionado, na sabatina, sobre o fato de divulgar a construção de hospitais que tiveram entrega anunciada na gestão anterior, como o da Capela do Socorro. “O hospital estava fechado e nós reabrimos. Assim como o Guarapiranga, ou o Sorocabano.” /ADRIANA FERRAZ, PEDRO VENCESLAU, TULIO KRUSE e MILIBI ARRUDA

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