Se fechado o acordo, exposição de prefeito será dosada pelo PT

Bastidores: Malu Delgado e Fernando Gallo

O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h08

O apelo não será explícito, mas dirigentes do PT já trabalham com um cenário em que, confirmada a aliança eleitoral com o PSD, o prefeito Gilberto Kassab não sairá desfilando pelas ruas com o ministro Fernando Haddad, candidato petista à Prefeitura de São Paulo. Principalmente se for em território "martista". Kassab tem se demonstrado um hábil estrategista político e sabe bem que se o PT engolir a aliança - cuja celeridade das negociações surpreende até os próprios petistas - isso não significa que automaticamente ele se transforma num fiel escudeiro de Haddad. Atuar na campanha é uma coisa. Distribuir sorrisos em redutos petistas é outra.

Com a certeza de que Kassab não estará nos palanques de Haddad por conta da realidade política e da rejeição de segmentos do partido é que dirigentes do PT não colocam em dúvida a participação da ex-prefeita Marta Suplicy na campanha eleitoral. "Marta vai se recusar a estar num palanque ao lado de Lula em São Paulo?", provoca um dirigente do partido.

O forte posicionamento político de Marta contra Kassab é interpretado no PT como uma resposta à pressão interna, o famoso "ladra, mas não morde". Ela já teria dado garantias aos articuladores da candidatura de Haddad - leia-se Lula - de que entrará na campanha. Ainda que tenha força eleitoral significativa na capital paulista, Marta Suplicy isolou-se no partido nos últimos anos, interpretam os próprios petistas. Seu forte núcleo político já não existe mais. Na campanha eleitoral de 2010 ao Senado trilhou um caminho de autonomia que a desgastou. Preterida na disputa ao governo do Estado - o candidato foi Aloizio Mercadante -, fez uma campanha solo, com marqueteiro independente (Duda Mendonça), e se viu, na reta final, ameaçada pela sombra de Netinho de Paula (PC do B).

A manutenção da petista na vice-presidência do Senado, graças à articulação de Lula, já é suficiente para Marta ajudar Haddad. "Está de bom tamanho", avalia um correligionário.

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