‘Se estivesse bem, eu não estava aqui’, diz ministra da Secretaria de Relações Institucionais

Ideli diz que seu trabalho é 'sempre tensionado'

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h02

Chefiar a Secretaria de Relações Institucionais é uma "profissão de risco", um trabalho "permanentemente tensionado". A avaliação é de quem exerce o cargo há dois anos e, ultimamente, tem sido alvo de queixas no Congresso. "Outro dia brinquei, não lembro quem foi que entrou na minha sala e perguntou: 'Tudo bem?'. Se estivesse tudo bem, eu não precisava estar aqui", contou a ministra Ideli Salvatti.

"Articulação é justamente para equacionar que as coisas andem bem, é um trabalho permanentemente tensionado", disse Ideli, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

"Você faz a intermediação, a interlocução, você viabiliza o que tem possibilidade de viabilizar, dá as condições de negociar o que é possível, (é) profissão de risco", afirmou. "Aqui não tem serviço fácil, então é permanentemente acompanhar e, dentro das possibilidades, realizar o que é necessário."

Para Ideli, existe uma vontade de "criar crise onde não tem". Questionada sobre que avaliação fazia do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), com quem o Planalto travou duros embates na tramitação da MP dos Portos, a ministra respondeu: "O PMDB é o partido do vice-presidente da República, tem vários ministros, é corresponsável pelo governo, o PMDB tem suas responsabilidades. Eu coloco de forma clara que, dentro da corresponsabilidade, o PMDB tem sua tarefa".

Ideli reconheceu que "o momento de maior tensão foi a MP dos Portos". "O governo aprovou o que precisava aprovar, negociou, não foi sancionado o que era inegociável", disse. A ministra afirmou que há um risco de a Justiça ser acionada caso o Congresso derrube os vetos da presidente Dilma Rousseff à MP dos Portos. "Se derrubar, não duvido que isso será judicializado. E o Congresso tem de avaliar se quer continuar judicializando questões tão estratégicas."

Clima. Questionada sobre a liberação de emendas para parlamentares, outro foco de tensão, a ministra afirmou que "liberação de emenda tem todo ano, é que nem inverno e verão". "Depende obviamente das condições climáticas", disse. "Este ano qual foi a condição climática? Não tivemos aprovação do orçamento no final do ano, foi aprovado no início do ano legislativo, tivemos um atraso por conta da não votação do orçamento de três, quatro meses. Vamos iniciar o processo, como todo ano, de liberação, empenho das emendas."

Ideli só evitou comentar a retomada do projeto que dificulta a criação de novos partidos - a lei prejudicaria potenciais adversários na campanha à reeleição de Dilma. "Deixa o Supremo terminar, depois que o Supremo terminar, a deliberação é do Congresso", disse. Na "profissão de risco" do Planalto, melhor não mexer com "incêndio" de outros Poderes.

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