Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

"Se Aécio se comprometer com minhas bandeiras, temos grande chance de fazer essa parceria"

Ex-jogador, eleito senador pelo Rio de Janeiro com 4,683 milhões, se tornou um cabo eleitoral cobiçado no 2º turno

Entrevista com

Romário

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2014 | 18h04

Eleito com 4,683 milhões de votos (63,4% dos válidos), o ex-jogador e deputado em primeiro mandato Romário se tornou um cabo eleitoral cobiçado pelos candidatos que chegaram ao segundo turno. Nesta quinta-fira, 9, deve se reunir com o tucano Aécio Neves e diz que são grandes as chances de apoiá-lo na disputa contra a presidente Dilma Rousseff, de quem tem sido crítico ferrenho. "Como deputado, tenho alguma bandeiras. Se Aécio se comprometer com elas, existe grande chance de fazer essa parceria", diz o futuro senador. "Tenho consciência do peso que pode ter meu apoio". O ex-craque promete estudar os temas espinhosos que o esperam no Senado, como reformas política e tributária. "A convivência no Senado vai me trazer experiência", afirma Romário, pai de seis filhos, entre eles Ivy, de nove anos, que tem Síndrome de Down e o Baixinho diz ter sido sua inspiração para entrar na política.

Que lições tirou desta campanha?

Fui aos 92 municípios do Estado, sempre com recepção calorosa. O povo está cansado de quem faz política para si próprio, para enriquecer, fazer falcatruas e sacanagem. Acho que minha forma de fazer política, com honestidade, participação, fiscalização, cobrança e transparência, é o que o povo quer. O Senado é uma casa de senhores. Vou encontrar ex-presidentes, ex-governadores, empresários riquíssimos. Para mim, um cara que nasceu na favela e chega aonde cheguei, é muito emocionante e importante para minha vida política. Estou preparadíssimo, a falta de experiência existe, mas também existia quando fui eleito deputado e aprendi muito. A convivência no Senado vai me trazer experiência.

Como vai se posicionar no segundo turno?

O Aécio (candidato do PSDB a presidente, Aécio Neves) me ligou, vamos nos encontrar. É praticamente impossível eu apoiar a presidente Dilma, pela minha atuação contra o governo. Se Aécio se comprometer com uma política diferente e efetiva para as pessoas com deficiência e doenças raras, com a construção de centros de diagnóstico e tratamento, se tiver propostas para melhorias no esporte e para o combate às drogas, ao crack, com atenção especial aos dependentes, pode ter certeza de que existe grande chance de fazermos essa parceria. Não digo que esteja 100%. Se não acontecer, vou ficar neutro. Tive quase 4,7 milhões de votos, tenho consciência do peso que pode ter meu apoio.

E na disputa para governador?

Já conversei com o Pezão (governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, candidato à reeleição). O caminho é o mesmo, vou levar as mesmas bandeiras. Vamos nos encontrar. Com Crivella não falei ainda.

No Senado, você vai se defrontar com assuntos como dívida dos Estados, royalties do petróleo, reforma tributária. Tem propostas para esses temas?

E também reforma política, o casamento gay, redução da maioridade penal. Vou me preparar e, quando chegar à discussão, já serei conhecedor de cada tema.

É a favor da redução da maioridade penal?

Posso discutir a redução, nos casos de crime hediondo, mas somente depois que houver uma mudança profunda na estrutura do acolhimento aos jovens, no sistema educacional. Posso ser a favor, se a estrutura mudar. Não posso aceitar esse massacre dos jovens negros da favela, até porque sou da favela e sou negro.

E o casamento gay?

Minha fala coincide com o pensamento do papa Francisco. Sou a favor de as pessoas serem felizes. Quem sou eu para dizer o que podem e não podem fazer?

A autonomia formal do Banco Central gerou acaloradas discussões no primeiro tuno. Qual é sua posição sobre esse tema?

Vou me preparar muito bem para debater isso.

Como está a convivência com o PSB?

Minha relação com o PSB é muito ruim. Sou deputado, fui eleito senador com quase 4,7 milhões de votos e não tenho uma cadeira na executiva municipal, estadual, muito menos nacional. O PSB não me vê como uma pessoa importante. E olha que, depois da Marina Silva, eu fui o político do PSB com mais votos no País. Infelizmente eles não me veem assim. Mas não pretendo sair do partido.

Em 2012, você tentou sem sucesso ser candidato a prefeito do Rio pelo PSB. Como fica esse plano?

Quando fui eleito deputado, queria cumprir o mandato. No meio, entendi que seria interessante ser candidato a prefeito, mas não foi possível. Hoje, tenho pretensão de cumprir os oito anos de mandato como senador. A política é muito dinâmica, as coisas acontecem.

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