Sayad enfrenta críticas em audiência sobre TV Cultura

Presidente da Fundação Padre Anchieta nega 'desmanche' da emissora e bate boca com deputada do PC do B

JOTABÊ MEDEIROS , O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2012 | 03h09

O presidente da Fundação Padre Anchieta, gestora da TV Cultura, João Sayad, enfrentou tempo quente em debate ontem na Assembleia Legislativa. Defendeu-se das acusações de ter promovido "desmanche" na emissora, alegando que se preocupou com critérios de "eficiência, impessoalidade e transparência".

"Nenhum lugar em que estive nunca fiz desumanidade, desmonte, desmanche. Encosto a cabeça no travesseiro e durmo tranquilo", afirmou Sayad, há dois anos pilotando um processo de enxugamento na fundação. "Existiam deprimidos na TV, gente encostada, sem função, sem salário certo."

Segundo sindicalistas, em março foram demitidos 56 funcionários na fundação (seriam quase mil demissões na gestão). Associações de classe também enxergam descaracterização da programação em virtude de disputa de publicidade e audiência. Os sindicatos queriam saber qual é o "milagre" que leva uma TV a demitir tanto e ainda apregoar que produz 20 horas de programação diária.

Houve um momento tenso, quando a deputada Lecy Brandão (PC do B) afirmou que, se Sayad tivesse acabado com o programa de hip-hop e cultura de rua Manos & Minas, como pretendeu, teria sido um "racista". "Que diversidade é essa, que tira o programa dos negros?", inquiriu Lecy. Sayad negou que tivesse intenção de eliminar o programa da grade. "Eu não sou racista. A audiência muitas vezes é baixa, um administrador tem de ver isso", disse. "Não grite comigo, que eu sou uma deputada", Lecy retrucou. Ao fim, Sayad pediu desculpas à parlamentar.

Durante a audiência, sindicalistas também foram críticos ao espaço cedido pela TV Cultura à Folha de S. Paulo, para um programa dominical, e à suposta ideia de extinção do musical Ensaio, clássico da emissora. Sayad considerou essa acusação "injusta".

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