Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marina sobre Joaquim Barbosa: 'Saúdo a decisão dele de entrar na política'

Os dois aparecem próximos no último Datafolha, presidenciável da Rede com 10% e o ex-ministro com 8% de intenção de voto

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 14h03

A pré-candidata da Rede à presidência, Marina Silva, reiterou nesta terça-feira, 17, que não tem conversado com o ex-ministro Joaquim Barbosa, mas que saúda sua filiação ao PSB. Em conversa com jornalistas após participação da 19º Conferência Anual do Santander, na capital paulista, a ex-senadora e ex-ministra minimizou o resultado da última pesquisa do instituto Datafolha e disse que acredita em sua participação nos debates eleitorais da TV.

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"Não temos conversado, eu e o ministro Joaquim Barbosa, mas saúdo a decisão dele de entrar na política, acho que vai contribuir bastante para o debate. E respeito o debate interno do PSB, sobre se terá ou não candidatura", disse a presidenciável. "Numa eleição em dois turnos, os partidos têm direito de colocar suas ideias e apresentar para sociedade aquilo que acham que é o melhor caminho".   

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No ano passado, o ex-ministro e possível candidato do PSB e a pré-candidata da Rede se encontraram em mais de uma ocasião e aliados nutriam a esperança de vê-los em uma chapa única nas eleições 2018.

Expectativas para eleições 2018

Marina, que foi uma das principais beneficiadas no cenário sem a presença do ex-presidente Lula, preso há duas semanas, minimizou o resultado da última pesquisa do Datafolha. Para ela, o levantamento é apenas um "registro do momento" e ainda há muito tempo para as eleições.

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Ela também minimizou o fato de que seu partido permaneceu com três parlamentares após a janela eleitoral, dois a menos que o necessário para garantir sua presença nos debates das TV, segundo a atual legislação. "A lei faculta que as empresas possam convidar os candidatos a seu critério. E, num cenário que os outros partidos não imponham veto, é perfeitamente possível participar de debate".

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A candidata disse ainda que, dados os poucos recursos com que deve contar nessa eleição, a Rede deve fazer uma campanha "franciscana". "Inclusive convidei minhas amigas para fazer um brechó e renovar meu guarda-roupa", brincou.

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A ex-senadora também declarou que as reformas da Previdência, tributária e política serão prioridades em seu governo e que não pretende tirar "nenhum coelho da cartola" quando o assunto é economia.

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"Na área econômica, digo sempre que não vamos precisar reinventar a roda", disse a ex-ministra do governo Lula. "A gente precisa tirar o coelho da gaiola, porque ele foi engaiolado há alguns anos e por isso voltamos a ter inflação, déficit público e um monte de problemas", disse.

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Marina estava acompanhada do economista Eduardo Giannetti da Fonseca e Basileu Margarido, que integram a sua equipe econômica. Ela também disse receber colaboração do economista André Lara Rezende e, no debate sobre a reforma tributária, do Instituto de Cidadania Fiscal, de Bernard Appy.

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Em relação à reforma da Previdência, a pré-candidata disse não concordar com o projeto enviado pelo governo do presidente Michel Temer, que não teria a legitimidade necessária para conduzir as reformas. Já sobre a reforma tributária, Marina defendeu uma simplificação da estrutura, se possível com a criação de um imposto único sobre valor adicionado. "Não dá para ser populista e dizer que dá pra reduzir tributos, mas também não devemos aumentá-los", acrescentou, mencionando as grandes carências que o Brasil enfrenta em temas como educação e saúde.

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Questionada sobre o que trouxe de aprendizado das eleições passadas, Marina disse que, em 2014, viu que "muitos candidatos disputavam não a Presidência, mas o comando de uma organização criminosa". Este ano, continuou, "muita gente que disputa a eleição quer na verdade um salvo conduto", acusou.

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A presidenciável defendeu ainda a prisão após segunda instância, mas disse que é preciso avançar no sentido de restringir o foro privilegiado das autoridades. "Isso criou uma clara injustiça: os que têm prerrogativa de foro ficam impunes. Só no Congresso Nacional temos cerca de 200 investigados, sem falar naqueles que estão escondidos dentro Palácio do Planalto". 

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