Saúde domina debate; Haddad explora 'privatização' e Serra, 'fim de parcerias'

Petista cita projeto estadual de destinar 25% dos leitos do SUS a planos; tucano diz que adversário vai romper com organizações sociais

DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h42

No primeiro debate do segundo turno da campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, na TV Bandeirantes, temas ligados à saúde ocuparam lugar central na polêmica entre os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). O petista afirmou que o adversário apoia projeto de "privatização" de 25% dos leitos do SUS no Estado - o projeto do governo Geraldo Alckmin está barrado na Justiça. Já o tucano acusou o rival de ter a intenção de "eliminar" as organizações sociais (OS) que administram hospitais públicos e unidades de saúde da cidade.

Haddad negou ser contrário à gestão das chamadas OSs. "Eu quero ampliar as parcerias com essas organizações", afirmou. Ele disse ainda que apenas se referiu a uma determinação judicial que obriga essas entidades a fazer concursos públicos, "para evitar a contratação de amigos".

Serra disse que o fim das OS está "implícito" no programa de governo do candidato petista. Afirmou ainda que o ex-deputado José Dirceu encabeçou uma representação no Supremo Tribunal Federal para acabar com as parcerias entre órgãos públicos de saúde e entidades privadas.

"Pelo amor de Deus, Serra, para de citar pessoas que não estão disputando a eleição, para com essa obsessão", respondeu o petista, referindo-se à estratégia do adversário de relacioná-lo a Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por seu envolvimento no mensalão.

O candidato do PT, em diversos momentos, trouxe a administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD) para a discussão. Acusou o prefeito de não ter entregue três hospitais públicos durante a campanha e atacou o PSDB por propor e aprovar uma lei estadual que "reserva para os planos de saúde 25% dos leitos públicos". A aplicação da lei foi suspensa pela Justiça.

No início do programa, Serra relacionou diversos programas sociais que implantou ou idealizou - remédios genéricos, seguro desemprego, mutirões de saúde - e questionou Haddad se eles seriam voltados para os pobres ou para os ricos. "O PT, na televisão, fica dizendo que a gente trabalha para rico." Haddad não deu uma resposta direta e preferiu atacar a atuação do tucano na área social. Afirmou que diversos programas que Serra exibe como trunfos foram implantados com ajuda do governo federal - citou como exemplo a expansão de escolas técnicas. Em resposta, o tucano afirmou que a a participação federal é "ínfima".

Haddad convocou Serra a firmar um "protocolo" para discutir apenas propostas, e evitar ataques. "Tenho ouvido nas ruas muitas queixas a respeito da truculência e da virulência da campanha. Devemos fazer um esforço para discutir propostas e deixar a truculência e as insinuações de lado."

"Tudo o que eu quero é fazer uma campanha propositiva", respondeu Serra. "Se tem um partido que é especialista em baixarias é o PT, que faz jogo baixo. É uma tática fenomenal, atacam e depois dizem que estão sendo atacados. É o estilo Zé Dirceu."

Haddad disse que os tucanos apresentam o ritmo mais lento de construção de metrôs no mundo. "São menos de dois quilômetros de linhas por ano."

Quando Haddad afirmou que acabará com a taxa de inspeção veicular, Serra atacou, dizendo que ele vai "estatizar" o serviço. "É uma enganação, porque mesmo quem usa ônibus vai ter que pagar a taxa." Serra chamou Haddad de "corajoso" por trazer o tema da taxa ao debate, uma vez que ele teria sido o criador da taxa do lixo, quando atuou na administração de Marta Suplicy. "Você foi à Câmara defender a taxa do lixo, que nós eliminamos", afirmou.

Haddad replicou dizendo que chefe dele na prefeitura era o economista João Sayad, que depois foi secretário no governo do próprio Serra. / BRUNO BOGHOSSIAN, FERNADO GALLO JULIA DUAILIBI, VERA ROSA, DANIEL BRAMATTI, ISADORA PERON E DÉBORA ÁLVARES

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