Saúde domina debate da 'TV Estadão' entre candidatos a vice de SP

Alexandre Schneider, da chapa de José Serra, defendeu regulação de convênios e Nádia Campeão, da chapa de Haddad, falou sobre fortalecimento do SUS

Danielle Villela, de O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 03h08

Diferentemente do que tem ocorrido entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), os candidatos a vice-prefeito de São Paulo, Alexandre Schneider (PSD) e Nádia Campeão (PC do B), mantiveram tom moderado em debate promovido ontem pela TV Estadão, com poucos ataques pessoais e foco nas questões locais.

Entre os temas da cidade, a polêmica envolvendo os convênios da Prefeitura com entidades privadas na área da saúde voltou a ser discutida entre os candidatos. Schneider defendeu o fortalecimento das organizações sociais (OS), com criação de um órgão de regulação para os convênios.

"Trabalhamos duro para implementar esse sistema em São Paulo", disse ele, que foi secretário de Educação na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Schneider também acusou o partido do candidato rival de manter posição pouco clara sobre o tema. Na réplica, Nádia negou que pretenda acabar com os convênios, mas ressaltou a necessidade de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

"Essa deve ser a meta do País, o que prevê também a parceria com outras instituições. Vamos atuar em todos os setores", disse. Secretária de Esportes da gestão Marta Suplicy (PT), a candidata a vice de Haddad disse estar "preocupada" com a proposta do partido rival de ceder 25% dos leitos do SUS para a iniciativa privada. "Não concordamos com isso", afirmou.

Os candidatos mostraram que também mantêm posições próximas sobre alguns temas. Ao responderem a uma pergunta sobre a situação das calçadas na cidade, Schneider e Nádia concordaram que a atual legislação precisa ser revista.

Schneider disse que a lei atual, que responsabiliza apenas o morador pela manutenção da calçada de sua casa, não funciona porque muitas pessoas não têm meios para manter o pavimento em ordem, principalmente na periferia.

Nádia também defendeu a revisão da legislação e destacou o fato de a população brasileira estar envelhecendo. Ela lembrou que as pessoas mais velhas estão entre as que mais sofrem com o calçamento de má qualidade.

Farpas. As acusações só apareceram no terceiro e último bloco do encontro, quando Nádia incitou o rival a explicar a denúncia de cartel na compra de uniformes na gestão da Secretaria de Educação, no governo de Gilberto Kassab.

"Essa denúncia de formação de cartel é mentirosa, foi feita por uma revista que está sendo processada por mim", afirmou Schneider. "Eu comprei os uniformes do município a preços mais baixos do que a gestão Marta Suplicy. Por isso subiu de 6 para 15 peças, porque pagamos menos do que se pagava há oito anos. Estou muito tranquilo em relação a isso. A gestão anterior tem mais de cem processos. Nós temos muito menos processos na Justiça do que a gestão do PT", acrescentou.

Na sequência, o candidato a vice de José Serra aproveitou suas considerações finais para ressaltar a aliança do PT com Paulo Maluf (PP). "Já tivemos o PSDB e o prefeito Kassab, como tivemos o malufismo e o PT", disse.

Os dois candidatos também falaram sobre suas experiências na Prefeitura. Schneider afirmou que sua gestão na Secretaria de Educação teve "avanços significativos, especialmente frente à situação que encontramos". Nádia, por sua vez, afirmou que fez "projetos importantes" no comando da Secretaria de Esportes, "revitalizando o esporte com poucos recursos".

Outro tema que entrou na pauta foi a possibilidade de Schneider e Nádia assumirem a Prefeitura, caso o prefeito eleito renuncie para concorrer a outros cargos nas eleições de 2014.

"Tenho absoluta segurança de que Fernando Haddad, se eleito, ficará os quatro anos de mandato. Foi um problema criado na primeira gestão do Serra", disse Nádia. "Essa questão nem passa pela minha cabeça", replicou Schneider. O debate foi dividido em três blocos e teve uma hora de duração. Os candidatos responderam às perguntas formuladas pelo moderador, jornalista Roberto Godoy, e por outros profissionais do Grupo Estado.

Em suas considerações finais, os dois candidatos mostraram confiança em relação à vitória eleitoral. Nádia observou que, no 1.º turno da eleição, a população de São Paulo deixou claro sua preferência por candidaturas "de mudança".

Schneider defendeu a gestão de Serra, que "fez muito por São Paulo", e destacou o resultado da votação no 1.º turno, em que o tucano terminou em primeiro.

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