Sartori recua e diz que não desafiou corregedora

Um dia depois de lançar publicamente desafio à ministra Eliana Calmon para que exibisse seu holerite, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, recuou e, diante dela, baixou o tom.

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h01

Ele e a corregedora nacional da Justiça reuniram-se em Brasília para analisar relatório sobre a situação dos precatórios em São Paulo, mas nenhum deles se encorajou a mostrar o contracheque. Na terça-feira, Sartori, em entrevista concedida e gravada em seu gabinete, havia declarado taxativamente: "Eu até me disponho, se ela quiser mostrar o holerite junto com o meu, eu mostro, os dois juntos. Por que vocês não propõem isso?"

Eliana Calmon, após o encontro, afirmou que o presidente do TJ disse isso porque os jornalistas "irritam". "Nós não precisamos entregar o contracheque. Sabe por quê? Porque no portal da transparência já está o quanto eu ganho, quanto o desembargador Sartori ganha. Não precisa mostrar os contracheques. Ele disse isso porque vocês irritaram muito."

A dívida de precatórios em São Paulo é estimada em R$ 20 bilhões. Segundo Eliana, o CNJ não encontrou irregularidades de ordem disciplinar. "A ordem cronológica dos precatórios está embaraçada", disse.

O presidente do TJ insistiu na tese que tem propagado desde que assumiu o cargo, em janeiro. Segundo ele, a imprensa tem feito uma campanha para "enxovalhar" o Judiciário. Após a reunião com a corregedora, ele disse que os juízes não são alvo de investigação e que o TJ e o CNJ são "parceiros".

"Investigação é um termo parcial, pejorativo e perverso para enxovalhar a magistratura. Isso é uma campanha feita pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S. Paulo", afirmou.

"Embora às vezes a reportagem saia no contexto, a manchete sempre é depreciativa e enxovalha a magistratura. E isso nós não podemos admitir", afirmou.

Ele disse ainda que o tribunal é transparente e apoia a inspeção nos pagamentos. "Eu converso com os jornalistas, bato nas costas, dou café e assim mesmo vêm e distorcem o que eu digo."

Eliana afirmou que "não vai direcionar essa investigação para nenhum desembargador, é uma inspeção de rotina".

Ela disse que a palavra investigação "traumatiza a magistratura" porque dá a impressão de que a inspeção estaria direcionada para determinados juízes.

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