Sartori defende ação de entidades contra jornal

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, pretende que entidades de classe dos magistrados proponham ações judiciais contra a Folha de S. Paulo. As ações seriam movidas pelo fato de o jornal ter noticiado, no dia 20, que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estendeu "investigação" sobre a folha de pagamento de todos os 354 desembargadores da corte. Para Sartori, o CNJ está promovendo "uma inspeção, não uma investigação".

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h41

Sartori admitiu a tática na sexta-feira, em Ribeirão Preto, onde deu início ao projeto Administração Participativa. O desembargador não aceita o termo "investigação" - para ele, isso implica em suspeitas sobre seus pares.

"Investigar é indício. Quer dizer que todos somos suspeitos? Estamos sendo indiciados? Vou ser investigado?", argumentou Sartori. "Talvez sejamos todos bandidos", ironizou.

Não é a primeira vez que Sartori ataca a imprensa. O presidente do TJ já havia dito que o Estado e a Folha querem "enxovalhar" o Judiciário. Ontem, ele não se manifestou sobre a tática de mover ações contra a imprensa.

O diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, disse que a entidade "lamenta e condena essa proposta". "Mover ação perante o Judiciário contra quem quer que seja é um direito de todo mundo, mas buscar fazer isso de forma coletiva, corporativa e orquestrada é preocupante porque denota uma intenção de intimidação."

Sartori tampouco quis falar sobre a portaria em que mandou pagar auxílio-alimentação a todos os juízes e desembargadores de São Paulo, atendendo a solicitação da Associação Paulista de Magistrados, uma das entidades à qual teria proposto a ação contra a Folha. Nem a Apamagis, nem a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), quiseram comentar a tática de Sartori.

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