Reprodução/TV
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Sartori acusa Leite de ‘lavar as mãos’ sobre suspeita de fraude em Pelotas

Durante inserção de TV e rádio, candidato à reeleição parte para o ataque, afirmando que gestão do tucano na prefeitura da cidade não tomou atitude contra suspeita de fraude

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 14h40

PORTO ALEGRE - Em inserção veiculada no rádio e na televisão, a coligação do governador do Rio Grande do Sul e candidato à reeleição, José Ivo Sartori (MDB), acusa o adversário Eduardo Leite (PSDB) de "lavar as mãos" em relação a uma denúncia de fraude em exames de câncer em Pelotas, enquanto o tucano foi prefeito da cidade (2012-2016).

Leite, que está numericamente em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto na disputa ao governo gaúcho e tecnicamente empatado com o governador na simulação de segundo turno, respondeu a Sartori em seu programa de TV, negando ter tido conhecimento do caso enquanto era prefeito e afirmando que a suspeita não foi comprovada. Até então, Sartori afirmava que não atacaria rivais durante a campanha.

Em julho, profissionais da saúde denunciaram que o laboratório contratado pelo município de  Pelotas para realizar exames para detecção de câncer de colo de útero teria fraudado resultados entre 2014 e 2017, pois o número de análises negativas estaria muito acima do usual no período. O Ministério Público Estadual instaurou inquérito para investigar o caso e aguarda resultado de perícia para dar prosseguimento à investigação. A Polícia Federal e a Câmara de Vereadores de Pelotas, por meio de CPI, também investigam o caso.

A peça de 30 segundos da campanha de Sartori, que começou a ser veiculada no fim de semana, pretende ligar o tucano à suspeita de fraude, afirmando que ele foi avisado sobre o caso e não tomou nenhuma atitude a respeito. "A imprensa noticiou que a fraude custou vidas", diz a inserção que, em seguida, afirma que "funcionários apresentaram documento avisando a prefeitura".

Leite dedicou seus 2 minutos e 45 segundos do programa eleitoral desta segunda-feira, 24, para responder ao governador. Falando em "repor verdades" e olhando diretamente para a câmera, o tucano afirmou que ficou "indignado pelo uso eleitoreiro" do caso. O candidato lembrou de denúncias que ocorreram no governo Sartori, disse que considerava o governador "um homem de bem" e afirmou "jamais tê-lo acusado, porque não haveria como saber tudo o que acontece". "Agora o senhor me acusa de ter lavado as mãos em um assunto que não veio ao meu conhecimento e que sequer foi comprovado?"

José Vieira da Cunha, um dos coordenadores da campanha de Sartori, afirmou que a peça que ataca Leite foi "pontual", mas que o assunto "não era de se deixar passar batido".

Segundo Ibope divulgado em 21 de setembro, Sartori tem 31% das intenções de voto, e Leite, 26%. Num cenário de segundo turno entre os dois, o tucano aparece com 40%, e o emedebista, com 37%. Nos últimos dias, Leite tem se tornado alvo de adversários - e se defendido afirmando que isso ocorre porque está subindo nas pesquisas.

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