Sarney vê Senado 'transparente' com Renan no comando

Ao se despedir da presidência da Casa, peemedebista defende sucessor, omite caso dos atos secretos e faz balanço da carreira

RICARDO BRITO, DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h01

Depois de ocupar a Presidência do Senado por quatro vezes, José Sarney (PMDB-AP) despediu-se do cargo com um longo e emocionado discurso no qual defendeu seu sucessor, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele ignorou os escândalos ocorridos no período em que esteve no posto, como o caso dos atos secretos, denunciado pelo Estado, em que decisões não eram publicadas no Diário Oficial da União.

Ao falar de Renan, Sarney afirmou que a escolha do correligionário para o comando do Senado reitera o processo democrático. "Sua eleição a presidente da Casa mostra a confiança de seus pares, e nos dá a garantia de um mandato em que o Senado Federal seguirá seu caminho de transparência e equilíbrio democrático."

Sarney ignorou as denúncias de desvio de dinheiro e falsificação de documentos contra Renan, referindo-se a ele como "uma das mais expressivas lideranças de nosso partido, (…) um legislador criterioso, com importantes iniciativas, (…) um articulador hábil e um poderoso formador de consensos."

O senador fez um balanço dos seus 58 anos de história legislativa, exaltando seu perfil, que classificou como conciliador, dizendo ter buscado "incansavelmente o diálogo e a conciliação". Para ele, as críticas que o Congresso sofre hoje são uma "incompreensão da sociedade", fruto da velocidade com que as informações circulam nos dias atuais.

"Parece que as leis podem ser feitas sem o complexo processo de examinar suas repercussões e alternativas, ouvir os especialistas e a sociedade, formar consensos e maiorias. Contrastam com o tempo do Legislativo os tempos do Executivo e do Judiciário, que podem decidir por um ato solitário", discursou.

Sarney exaltou o fato de o Senado estar informatizado, lembrou a implantação de 80% da reforma administrativa e falou dos desafios que a Casa terá ao longo de 2013. "Estão aí sem solução visível a reforma tributária, os royalties, o Fundo de Participação dos Estados e o Fundo de Participação dos Municípios, para citar exemplos de que ainda não se tem a consciência política de que estes problemas não são regionais, mas nacionais."

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